Análise: Flamengo se classifica com dedo de Filipe LuÃs e pega embalo em busca de mais um tri
16/02/2026 17h15Fonte Globo esportes
Imagem: Reprodução

Seja você fã ou "hater" de Filipe Luís no Flamengo, é preciso reconhecer: o técnico mais acertou do que errou nas suas escolhas contra o Botafogo e teve participação direta na vitória por 2 a 1 no Nilton Santos, resultado que classificou o time no último domingo para a semifinal do Campeonato Carioca. Embora a evolução apresentada ainda seja pequena.
Vamos começar pela escalação. Em um campo difícil de jogar por causa da grama sintética, e em semana de início da disputa pelo título da Recopa Sul-Americana, o treinador optou por um time muito mesclado e com jogadores mais leves para pressionar a saída de bola do Botafogo. Com isso, Arrascaeta e Pedro ficaram no banco.
Na defesa, Filipe foi inteligente ao analisar o adversário. O ponta uruguaio Villalba, que estreou nesta semana no Botafogo, tem muita velocidade e seria uma ingrata missão para qualquer um marcá-lo. Mas Ayrton Lucas neste momento está fisicamente mais preparado do que Alex Sandro para correria. Ainda assim ele teve dificuldades no duelo, mas contou com ajuda e no geral se saiu bem.
A ajuda, no caso, foi de Samuel Lino. E aí entra outra escolha acertada do técnico. É óbvio que Cebolinha vive um momento melhor neste início de 2026 e merece ser titular na ponta esquerda, mas no quesito recomposição defensiva o seu concorrente aparenta ter mais resistência para ficar subindo e descendo. E ele foi importante ao dobrar a marcação com Ayrton Lucas em Villalba. Só que cansou e não conseguiu manter o ritmo no segundo tempo, e Filipe o tirou antes dos 15 minutos.
No meio, o recuo de Paquetá para segundo volante também deu certo. Jogando de frente e com mais liberdade, ajudou na marcação e ainda apareceu no ataque para fazer o primeiro gol rubro-negro. Na reta final, ainda atuou improvisado como falso 9 e fez a infiltração no cruzamento que gerou o escanteio do segundo gol. Na cobrança, Vitão subiu na primeira trave e fez o desvio que deixou Pulgar cara a cara com o goleiro Neto. O zagueiro foi outra escolha do técnico na escalação titular.
Vai ter quem diga: "O Rossi não daria o mole do Andrew no gol sofrido" ou que "o Luiz Araújo deveria ter entrado mais cedo". O técnico não é imune ao erro, mas, repito, desta vez ele acertou mais. As constantes movimentações dos homens de frente confundiam a marcação e abriam espaços, e o time funcionou bem em um primeiro tempo de amplo domínio rubro-negro: 55% a 45% na posse de bola; sete finalizações diante de só duas do Botafogo; e três chances de gol contra apenas uma do rival nos 45 minutos iniciais (numa rara escapada de Matheus Martins da marcação de Vitão).
Já o Flamengo teve:
o lance de Carrascal em que ele recebeu a bola no meio de campo, tentou avançar e foi desarmado, sendo que o goleiro Neto estava fora do gol e ele não percebeu, aos 14 minutos. Quem viu pela TV não deu para para ter noção, só quem estava no estádio. Se chuta, era gol.
a cabeçada do Paquetá na rede pelo lado de fora aos 18 minutos, após escanteio cobrado por Carrascal. A bola saiu por muito pouco, e Neto só olhou. Se vai na direção certa...
o gol de Paquetá logo na sequência, após saída errada do Botafogo. O camisa 20 recebeu de Bruno Henrique bateu de primeira da entrada da área, no cantinho;
Se o primeiro tempo foi bom, em compensação o segundo foi bem ruim. O Flamengo não conseguiu repetir a intensidade, perdeu a posse de bola e o controle do jogo. O Botafogo empatou com Barboza de cabeça aos oito minutos e poderia ter virado no chute de Novaes da entrada da área que tirou tinta da trave aos 16. O placar de finalizações na etapa final chegou a ser de seis a duas para o rival.
O Flamengo só conseguiu voltar a ter a bola após as entradas de Cebolinha, Arrascaeta e Luiz Araújo. Mas para vencer foi preciso também do dedo de Rodrigo Caio. O ex-zagueiro e hoje auxiliar da comissão técnica é responsável pelas bolas paradas da equipe, e as jogadas ensaiadas que fizeram sucesso em 2025 voltaram a funcionar no domingo.
A evolução ainda é pequena pelo potencial que esse time já mostrou que pode render. A questão física claramente é perceptível quando o Botafogo teve dois dias a menos de descanso para o clássico e foi superior no segundo tempo. O Flamengo conseguiu trabalhar força e potência nessa semana, que teve um raro intervalo de quatro dias, mas ainda não foi o suficiente.
Fato é que no Carioca o Flamengo foi como a fênix: quando todo mundo achou que estava morto, ele ressuscitou no campeonato, classificou fora de casa e agora chega como grande favorito contra o Madureira nas semifinais, valendo uma vaga na grande decisão do dia 8 de março, quando poderá conquistar o tri. O elenco se reapresenta na manhã desta segunda-feira e inicia a preparação para o primeiro jogo da Recopa Sul-Americana na quinta, às 21h30 (de Brasília), contra o Lanús na Argentina.












