A apoteose de Ney Matogrosso

16/02/2026 16h09


Fonte G1 cultura

 Imagem: Reprodução
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A Imperatriz Leopoldinense fez um desfile à altura de Ney Matogrosso na noite de domingo, 15 de fevereiro, abrilhantando o primeiro dos três dias de apresentação das 12 escolas de samba do Grupo Especial, a elite do Carnaval do Rio de Janeiro. A missão da agremiação do bairro carioca de Ramos foi cumprida com louvor.

O samba do enredo “Camaleônico” era reconhecidamente fraco, mas cresceu na avenida. Foi cantado com garra pelos componentes e por boa parte do público. E o que dizer das alegorias e fantasias criadas pelo carnavalesco Leandro Vieira? Dez, nota dez!

Mais focado na obra do que na vida particular de Ney Matogrosso, o enredo foi desenvolvido com inspiração em músicas, discos e shows do cantor. “O vira” (João Ricardo e Luhli, 1973), sucesso da banda Secos & Molhados, gerou imponente carro alegórico com lobisomem gigante e um gato preto personificado pela transformista Susy Brasil. Iluminado com luzes de LED, o carro dos camaleões foi outro exemplo do impacto visual do desfile da Imperatriz.

Houve brilho e (muitas) cores do início ao fim. A comissão de frente de Patrick Carvalho, por exemplo, foi show à parte. Com truques de ilusionismo, vários Neys entravam e saíam de cena com figurinos diferentes num passe de mágica. Literalmente. Os figurinos aludiam a shows feitos pelo artista no início da carreira, como “O homem de Neanderthal” (1975) e “Bandido” (1976). A dança da bateria de Mestre Lolo também encantou com os ritmistas fazendo coreografias sem perder a ginga.

Para uma escola geralmente criticada (com razão) por priorizar o apuro técnico em detrimento da emoção (por vezes contida), é justo reconhecer que a Imperatriz Leopoldinense desfilou com garra para hastear a bandeira da liberdade defendida por Ney Matogrosso ao longo de 53 anos de carreira.

É fato que a popularidade de Ney – artista (re)conhecido e reverenciado por públicos de todas as idades e classes sociais – contribuiu para a empatia imediata do enredo “Camaleônico”. A simples aparição do cantor, apoteótico no alto do último carro alegórico, encantou o público.

O cantor estava à vontade. Afinal, Ney sempre soube fazer jogo de cena e um desfile de escola de samba nada mais é do que um teatro a céu aberto. Uma ópera pop e popular, como já dito inumeráveis vezes.

Enfim, a Imperatriz Leopoldinense fez bonito. Está na briga pelo título do Carnaval carioca de 2026, mas, qualquer que seja o resultado da apuração do desfile, programada para a Quarta-feira de cinzas, Ney Matogrosso saiu da avenida Marquês de Sapucaí como um campeão.



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Tópicos: cantor, enredo, matogrosso