Opala do Piauà ganha destaque com avanço de pesquisa, inovação e qualificação
11/04/2026 11h51Fonte Governo do PiauÃ
A opala piauiense vive um novo momento impulsionado por ciência, tecnologia e articulação institucional. Isso se deve à retomada do Arranjo Produtivo Local (APL) da Opala, projeto coordenado pelo geólogo Érico Gomes, do Instituto Federal do Piauí (IFPI), e pela professora Lilane Brandão, da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e das Secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (SDE) e do Planejamento (Seplan).A iniciativa, que reúne mineradores, artesãos, empreendedores e pesquisadores, vem estruturando a cadeia produtiva, promovendo qualificação e inserindo a opala de Pedro II em um novo patamar no mercado nacional e internacional. Para os pesquisadores, trata-se da melhor oportunidade em 80 anos de exploração da gema no estado.
Foto: Maria Catiany.
Encontrada principalmente em Pedro II, a opala piauiense se destaca pela resistência e pelo característico “jogo de cores”, atributos que a colocam entre as mais valorizadas do mundo. Apesar disso, por décadas, sua exploração ocorreu de maneira informal, com baixa tecnologia e sem certificação, o que dificultava a inserção nos mercados mais exigentes. Esse cenário começou a mudar com a atuação integrada do APL, que passou a investir em qualificação técnica, inovação e sustentabilidade.
Entre os avanços, está a criação de um índice de sustentabilidade que avalia aspectos sociais, ambientais e econômicos da atividade, além de estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e ao reaproveitamento de resíduos da mineração.
Imagem: Maria Catiany
Opala do Piauí ganha destaque com avanço de pesquisa, inovação e qualificação.
Opala do Piauí ganha destaque com avanço de pesquisa, inovação e qualificação.A pesquisa busca identificar a “assinatura” da opala piauiense, etapa fundamental para garantir autenticidade, agregar valor e ampliar a presença no mercado internacional. Em menos de dois anos, o projeto já resultou na capacitação de garimpeiros e artesãos, no fortalecimento da governança do setor e no início do processo de internacionalização da opala piauiense. Em 2024, Teresina sediou o Inova Joalheria, primeiro congresso do segmento no Nordeste, reunindo especialistas em design, tecnologia e mercado.
Imagem: Arquivo CETAM
Registro de atividades desenvolvidas no Centro de Tecnologia e Artefatos Minerais.
Registro de atividades desenvolvidas no Centro de Tecnologia e Artefatos Minerais. No mesmo ano, foi reaberto em Pedro II o Centro de Tecnologia e Artefatos Minerais (CETAM), após quase duas décadas. O espaço passou a atuar na formação profissional, oferecendo cursos em gemologia, lapidação, ourivesaria e design 3D, ampliando o acesso ao setor.
Imagem: Arquivo pessoal
Designer Ravena Barroso durante atividade no CETAM.
Designer Ravena Barroso durante atividade no CETAM.“Foi no CETAM que ampliei minha visão da profissão”, afirma a designer Ravena Barroso. “Foi lá que tive a oportunidade de aprofundar conhecimentos técnicos e acessar tecnologias”, completa. Para Edielly Chrístini, o impacto está na ampliação do acesso: “A joalheria sempre foi muito centralizada em poucas famílias. Os cursos do CETAM abriram essa porta”. Ela destaca ainda o potencial da gema: “Muita gente nem sabe o que é a opala do Piauí. Quando conhece, fica encantada”.
Imagem: Arquivo pessoal
Edielly Christini, designer e proprietária da Aflorar Joias.
Edielly Christini, designer e proprietária da Aflorar Joias. Para profissionais da área, a iniciativa tem ampliado oportunidades e democratizado o acesso à joalheria, antes concentrada em poucos grupos. A participação em feiras também tem ajudado a divulgar a opala piauiense, ainda pouco conhecida fora do estado. Em 2025, a gema ganhou destaque internacional na Tucson Gem Fair, nos Estados Unidos. Outro avanço importante foi a visita de pesquisadores do Gemological Institute of America (GIA), que coletaram amostras para estudos de certificação de origem.
Imagem: Maria Catiany
Pesquisadores do GIA durante visita técnica às minas em Pedro II.
Pesquisadores do GIA durante visita técnica às minas em Pedro II.Na avaliação do presidente da Fapepi, João Xavier, o projeto reforça o papel das fundações de pesquisa. “Nosso investimento é também simbólico. Trata-se de reposicionar o Piauí na gemologia internacional e transformar ciência em desenvolvimento”. A atuação da Fapepi foi decisiva para estruturar o Arranjo Produtivo Local (APL), que passou a integrar qualificação técnica, inovação e manejo responsável, com a criação de um índice de sustentabilidade voltado às dimensões sociais, ambientais e econômicas da atividade.
Imagem: Maria Catiany
Professora Lilane Brandão
Professora Lilane BrandãoA iniciativa também inclui ações para tornar a cadeia mais justa e inclusiva. Segundo a professora Lilane Brandão, o objetivo é “conciliar exploração mineral, recuperação de áreas degradadas e justiça social”. No eixo da sustentabilidade, estudos como o diagnóstico ambiental da mina do Boi Morto e o reaproveitamento de resíduos da lavra demonstram a viabilidade de aliar produção, preservação e geração de renda.
Imagem: Maria Catiany
Érico Gomes, professor IFPI e coordenador do projeto em parceria com a professora Lilane Brandão da Uespi.
Érico Gomes, professor IFPI e coordenador do projeto em parceria com a professora Lilane Brandão da Uespi. As ações integradas no eixo de sustentabilidade tiveram a participação dos alunos Francisca Rosa (MAPEPROF/IFPI) e Guilherme Viana (PPGEM/IFPI), sob orientação do professor Érico Gomes.
Imagem: Maria Catiany

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