Conselheiros tutelares reclamam da falta de estrutura e condições inadequadas de trabalho

19/07/2017 10h10


Fonte G1 Globo

A falta de estrutura dos Conselhos Tutelares de Teresina tem prejudicado o atendimento dos conselheiros. Os profissionais reclamam das condições inadequadas para trabalhar, como a ausência de equipamentos e móveis nas salas de atendimento.

O quarto Conselho Tutelar é responsável por 90 bairros da Zona Leste de Teresina. Há quatro anos ele funciona na mesma sede, com o piso deteriorado, teto com infiltrações, o forro caindo, as paredes sujas e descascando.

Nas salas de atendimento, o único ar condicionado quase não funciona, falta lâmpadas e quando têm não acendem. Em outras salas, não há móveis e equipamentos para trabalho. "Ficam dizendo que precisam de licitação para comprar um ar condicionado novo, outra para mobiliar. Hoje eu sou um conselheiro tutelar com apenas uma cadeira para fazer os meus atendimentos", declarou Djan Moreira.

No primeiro Conselho Tutelar, responsável pelo centro da cidade, a precariedade se repete. Das três salas para atendimento, em apenas uma tem ar condicionado e alternativa para diminuir o calor é abrir a porta. Em outra sala, parte da parede cedeu há seis meses e o que ainda restou estar apodrecido pelos cupins. Já no banheiro, a descarga do vaso não funciona.

"Aqui temos as pessoas que colaboram conosco. A pessoa que faz a limpeza também faz o atendimento, ou seja, não contamos com pessoas preparadas para isso e o serviço tem sido secundário", contou o conselheiro tutelar Antônio Oliveira.

Atualmente, Teresina tem quatro conselhos com 20 conselheiros. O problema é que a população da cidade conta com 800 mil habitantes e o ideal seria o dobro de entidades.

O presidente da Associação de Conselheiros Tutelares do Estado do Piauí (Acontepi), Francisco Leite, denuncia que a realidade dos conselhos de Teresina se repete também no interior do estado. "A maioria não conta com estrutura mínima de trabalho. No interior, por exemplo, há apenas uma sala sem privacidade para o atendimento e muitas vezes não tem nem cadeira", declarou.

Sobre a necessidade de mais estrutura e equipamentos para os conselheiros, a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) informou que todo processo de compra nos órgãos públicos requer, de acordo com a lei, um processo licitatório. Neste caso específico, o órgão alegou ter uma licitação em tramitação para a melhoria dos prédios e aquisição de materiais para o trabalho.