Cofres de Cruzeiro e Flamengo ditaram últimas negociações entre os dois clubes
05/01/2026 08h16Fonte ge
Recusar uma proposta de cerca de 32 milhões de euros por um jogador, é um feito raríssimo no futebol brasileiro. Foi o que fez o Cruzeiro em relação à oferta do Flamengo pelo atacante Kaio Jorge. Ao contrário de outros anos, a resposta negativa só ocorreu pelo caixa reforçado da Raposa, que sonha em repatriar o meio-campo Gerson, atualmente no Zenit, da Rússia.Cruzeiro e Flamengo protagonizaram outras transações de destaque anteriormente. Porém, o fator "dinheiro em caixa" teve peso importante nessas transferências, com a necessidade de vender sendo preponderante em relação ao tentar "segurar" o jogador.
Imagem: Infoesporte
Arrascaeta e Kaio Jorge
Arrascaeta e Kaio JorgeAs tratativas envolvendo Kaio Jorge, um dos nomes mais importantes do elenco do Cruzeiro em 2025, lembram, em parte, a negociação dos dois clubes por Arrascaeta - também destaque do time mineiro de 2015 a 2018. Naquela ocasião, o Cruzeiro passava por um momento administrativo delicado - que acabou na queda da diretoria do clube e rebaixamento da equipe à Série B.
Com problemas para fechar o balancete de 2018, a direção da Raposa negociou Arrascaeta com o Flamengo, em janeiro de 2019. As cifras da transferência envolveram € 15 milhões (R$ 63,7 milhões na cotação da época) mais comissões por 75% dos direitos do meia.
A maior parte do dinheiro foi para o Cruzeiro e o restante para os times uruguaios Atenas e Defensor, referentes à dívida do clube mineiro, na época da contratação, em 2015, de aproximadamente € 4 milhões (R$ 17 milhões).
Imagem: Reprodução
Duelo Flamengo x Cruzeiro marcará reencontro de Arrascaeta com a Raposa em Belo Horizonte.
Apesar de a negociação ter ocorrido em 2019, o valor foi inserido no balanço cruzeirense do ano anterior para que o clube não tivesse problemas com o Profut, programa do governo federal para refinanciamento de impostos.
Duelo Flamengo x Cruzeiro marcará reencontro de Arrascaeta com a Raposa em Belo Horizonte.Em troca de descontos e benefícios na renegociação com clubes, o governo exige que os times sigam regras da boa gestão. Naquela época, o Cruzeiro não podia ter prejuízo maior do que R$ 34 milhões. Com a manobra financeira, a diretoria da Raposa manteve as perdas em "apenas" R$ 28 milhões, número impossível se não fosse a inclusão das cifras da venda de Arrascaeta em 2018.
A saída do meia uruguaio foi um baque para o torcedor. Com a camisa cruzeirense, Arrascaeta ganhou três títulos (duas Copas do Brasil e um Mineiro) e balançou as redes adversárias em 50 oportunidades. Para o Flamengo foi um negócio de sucesso. O time passava por um período sem títulos e precisava corresponder. Em 2019, reforçado e sob o comando de Jorge Jesus, o Rubro-Negro conquistou a Libertadores e Campeonato Brasileiro.
A venda de alto valor não aliviou as contas do Cruzeiro, que acabou rebaixado para a Série B, divisão que ficou até 2022, quando Ronaldo Fenômeno adquiriu a SAF e conquistou o acesso à elite do futebol nacional. Nos primeiros dois anos após o retorno à Série A, a Raposa trabalhou com elencos modestos, conseguindo permanecer na Primeira Divisão.
Imagem: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
SAF do Cruzeiro passou de Ronaldo para Pedro Lourenço, em 2024.
SAF do Cruzeiro passou de Ronaldo para Pedro Lourenço, em 2024.Em 2024, isso mudou. A SAF do Cruzeiro foi negociada por Ronaldo, passando para as mãos do empresário Pedro Lourenço. Com isso, o time contratou, de cara, nomes como Cássio, Matheus Henrique e Kaio Jorge, que veio da Juventus, da Itália.
No início de 2025, o Cruzeiro fechou com nomes como Dudu, Fagner e Gabigol - atacante que estava no Flamengo. Ele chegou ao time mineiro sem custos pela transferência, pois o contrato com o time rubro-negro estava no fim. No entanto, a Raposa teve de arcar com luvas e os altos vencimentos do jogador.
Caixa "desfalcado"
No começo de 2025, foi a vez de o Cruzeiro oferecer dinheiro ao Flamengo por um atleta e ver o clube carioca aceitar. A negociação envolvendo Fabrício Bruno girou em torno de sete milhões de euros (cerca de R$ 44 milhões). Segundo Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do clube rubro-negro, a transação foi necessária para movimentar o caixa.
- O fluxo de caixa estava delicado, fizemos esforços importantes entre a posse e o início do ano. Alguns parceiros que tinham atrasados foram razoáveis e conseguiram ajudar o clube. O Fabrício Bruno foi uma combinação de fatores. O atleta não queria permanecer aqui. Ele tinha vontade de ir para o Cruzeiro e é legítima. Nós chegamos a um bom termo para receber à vista. É um ano difícil, com taxa de juros altíssima, começar o ano com o caixa recomposto é fundamental - disse Bap em entrevista na época da venda.
Imagem: Gilson Lobo/AGIF
Fabrício Bruno em Cruzeiro x Fluminense
Fabrício Bruno em Cruzeiro x FluminenseA recusa dos milhões
Agora, mais um capítulo dessa relação está sendo escrito. O presidente do Flamengo declarou, perto do Natal, que o clube tem bastante dinheiro para as negociações e que estará disposto a fazer grandes ofertas.
- Se eu tiver que gastar R$ 1 bilhão para continuar ganhando a p... toda, eu posso gastar. Uma coisa é você querer gastar e não poder porque não pode pagar. A decisão de gastar só tem consequência, tem que ter dinheiro para pagar. E quando eu olho dentro desse horizonte de dois anos de planejamento, eu poderia gastar R$ 1 bilhão. Devo? Aí entra a avaliação. Vamos caminhar um dia de cada vez.
Com todo esse dinheiro à disposição, o Flamengo demonstrou interesse em Kaio Jorge. O clube carioca ofereceu um total de 32 milhões de euros (R$ 207 milhões) envolvendo o valor de mercado de Everton Cebolinha, mas a Raposa recusou.
O Cruzeiro avisou que não vai negociar o jogador por um valor menor que 50 milhões de euros (R$ 324 milhões, na cotação atual), quantia que o Flamengo não está disposto a chegar. Pedro Junio, vice-presidente do time mineiro, foi enfático ao dizer que vê a oferta "inferior" ao que Kaio Jorge pode valer.
- A situação do Kaio Jorge se matem a mesma: tem contrato com o clube. Recebemos a oferta do Flamengo, que foi recusada. No nosso entendimento, o valor é muito inferior ao que a gente pensa sobre o atleta, o potencial que ele tem. O atleta que vai se representar no dia 5, normalmente, como o restante do elenco.
O Flamengo ainda não se deu por vencido. Apesar de não pretender aumentar a oferta, segue monitorando o artilheiro do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil. O atual plano B do clube rubro-negro é Marcos Leonardo, do Al-Hilal. O Cruzeiro, por outro lado, sob o comando de Pedro Lourenço,se vê em uma posição mais confortável para negar ou aceitar as investidas.
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