Arrascaeta revela protesto contra diretoria do Flamengo em 2025: "Estavam sendo injustos comigo"
10/02/2026 18h07Fonte ge
Imagem: André Durão
Arrascaeta comemora gol na partida contra o Bahia em 2025.
Arrascaeta comemora gol na partida contra o Bahia em 2025.Exatos nove meses depois de fazer o gol da vitória por 1 a 0 do Flamengo sobre o Bahia no Maracanã, no dia 10 de maio do ano passado, pelo Campeonato Brasileiro, Arrascaeta revelou que a comemoração à la Riquelme, levando as mãos às orelhas, foi um protesto contra a diretoria na época.
A explicação foi dada em entrevista ao podcast "10 & Faixa", do ex-jogador Diego Ribas no YouTube, ao ser perguntado se o uruguaio usou algum gol pelo Flamengo para dar uma resposta:
— 2025, estávamos em um momento crítico, digamos, com algumas pessoas da diretoria. E foi um gol que, foi 1 a 0, acredito que foi contra o Bahia, gol de cabeça. Foi o único gol que coloquei a mão na orelha do Riquelme (risos). E nunca mais fiz essa comemoração. Mas sentia nesse momento, fui convicto para esse jogo que ia fazer um gol com essa comemoração. Porque estava vendo que, não sei, estavam sendo injustos comigo em algumas coisas, e eu sentia essa necessidade. Depois você pensa (de cabeça) frio se pode agregar ou não, mas nesse momento achei que era justo fazer.
Na época, o Flamengo negociava renovações de contrato com alguns jogadores, mas decidiu congelar as conversas com Arrascaeta alegando ter outras prioridades. O uruguaio tinha vínculo até o fim de 2026 e foi para o fim da fila, o que irritou o meia e seu estafe.
A ideia inicial era resolver a renovação logo após a Copa do Mundo de Clubes, mas a condução do processo pela diretoria afastou uma resolução e deixou a relação mais fria. No início de julho, Arrascaeta chegou a postar uma indireta em foto ao lado de seu empresário, Daniel Fonseca, com a frase: "O tempo põe cada um em seu lugar, cada rei em seu trono e cada palhaço em seu circo..." (veja na imagem abaixo). Em novembro, o clube anunciou o novo vínculo com ele até o fim de 2028.
Imagem: Reprodução
Arrascaeta posta foto ao lado do empresário, Daniel Fonseca, e uma indireta.
Arrascaeta posta foto ao lado do empresário, Daniel Fonseca, e uma indireta.Perguntado sobre qual foi o momento mais difícil que viveu no Flamengo, Arrascaeta citou o ano de 2023, em que o Flamengo passou sem conquistar nenhuma taça depois de sete temporadas, e revelou que na época cogitou sair do clube:
— A gente perdeu muitas finais, e eu não conseguia corresponder dentro do campo, não me sentia bem. Essa foi uma etapa que chegamos até aí e não ganhávamos. Perdíamos alguns jogos que nos poderiam dar esse espírito de novo de vencedor. Às vezes você começa a se questionar um pouquinho se já foi momento suficiente para dar um passo, ir embora, novas experiências, novos ares. Em 2021 perdemos a final da Libertadores com o Palmeiras, foi difícil, mas não tive essa sensação de 2023. Foi um ano bem complicado no tema lesões. Depois que comecei com a terapia não só me ajudou fora do campo, mas muito dentro. Lidava muito com lesões, colocava na cabeça que ia correr e abrir a posterior, já estava com esse medo constante nos treinos, jogos... Colocava um pouquinho de limitação na minha cabela que hoje em dia, graças a Deus, já não tenho.
Mais feliz na seleção brasileira?
Em 2025, Arrascaeta ganhou novo status na seleção uruguaia, virou titular absoluto e recebeu elogios do técnico Marcelo Bielsa, que inclusive agradeceu ao Flamengo. Ao comentar sua preparação com o Uruguai para mais uma Copa do Mundo este ano, o meia revelou que se sentiria mais à vontade se jogasse na seleção brasileira:
— Seleção do Uruguai, para meu estilo de jogo... Acredito que eu me encaixaria muito mais numa seleção brasileira. Pelas características de jogo que o Brasil sempre teve, e o Uruguai é um time mais defensivo, aguerrido, muito contato físico, muito contra-ataque. Então a gente quando está lá sofre muito quando jogamos, e agora com o Bielsa também. Graças a Deus estou me sentindo bem, pude me preparar melhor para essa etapa. Mas sem dúvida que, mais atrás, na época de (Óscar) Tabárez, foi um pouquinho mais difícil, porque era um jogo de muito contato, de muita ida e volta, e acaba sofrendo bastante. Não só eu, mas também muitos jogadores que jogavam nessa posição e têm as mesmas características minhas.
Imagem: Eitan ABRAMOVICH / AFP
Arrascaeta comemora gol pelo Uruguai.
Arrascaeta comemora gol pelo Uruguai.Há 10 anos jogando no futebol brasileiro, Arrascaeta disse que seu estilo de jogo foi moldado com as características dos jogadores do país, mais técnicos, e acredita que se tivesse ido para o futebol europeu teria se tornado mais intenso. Mas garantiu que hoje não sente falta de atuar na Europa:
— Quando era mais novo, sentia essa necessidade de ir para a Europa, de ter uma carreira lá. Acredito que se tivesse essa oportunidade de ir para algum time que desse ferramentas para crescer lá, ser talvez um pouco mais intenso... Eu decidi vir para o futebol brasileiro, que é um futebol mais na técnica. Pensamento do europeu é mais contato, mais físico, muito mais intenso com certeza. Acredito que fui aprimorando o jogador que fui nas características do jogador brasileiro. Por isso a minha melhor escolha foi vir para o Brasil, fazer minha carreira aqui, me sinto totalmente realizado. Hoje em dia não tenho nenhuma necessidade e nem sinto falta de ter jogado na Europa. Mais novo tinha essa ambição, Espanha era um país que mais gostava pelo estilo de jogo, jogadores que eu assistia muito. Mas desde que vim para o Brasil, sempre briguei por títulos, coisas importantes, isso me manteve focado.
Rebeldia em início no Brasil
Arrascaeta também contou na entrevista que era rebelde no início da carreira, principalmente no Cruzeiro, e que chegou a fazer um gol contra em jogo-treino por displicência. E lembrou o começo difícil no Flamengo, quando era a contratação mais cara da história do clube na época, mas era reserva com Abel Braga. Ele admitiu que "precisava ser mais profissional" na época:
Imagem: Alexandre Vidal / Flamengo
Arrascaeta ao lado de Abel Braga em treino em 2019.
Arrascaeta ao lado de Abel Braga em treino em 2019.— Muita (já fez besteira), acredito que principalmente na época do Cruzeiro em que era mais novo. Quando não gostava de uma coisa, fazia o que queria. Teve uma época que o treinador era o Luxemburgo e eu não jogava, ficava no banco. Ele colocava para jogar, eu entrava, fazia um gol e eu falava para mim: "Jogo que vem vou ser titular". Aí começava no banco. Falava para um parceiro argentino que jogava no meio: "Hoje vai ser um jogo-treino, você só joga a bola em mim, eu não vou passar para ninguém (risos)". Aí tentava driblar todo mundo, os caras ficavam bravos comigo. Fazia bola parada com o time reserva, tinha que bater escanteio e eu tentava gol olímpico. Tinha falta, chutava no gol. Eu olho para trás e fico impressionado com as coisas que fazia. Dedé também ficou muito bravo um dia, jogo-treino, eles estavam cobrando alguma coisa de mim, aí eu virei e chutei a bola no gol do meu time. Gol contra, estava o Fábio. Acredito que isso foi um aprendizado muito grande.
— (Início no Flamengo) Foi difícil por tudo isso que falava, pela rebeldia de chegar e achar que vai vestir a camisa e jogar. Depois, a realidade não é assim. Precisava de uma adaptação, de um grupo bom, que me ajudou também. Precisava ser mais profissional. Mas também eu era um cara que às vezes flutuo (disperso)... Os caras estão se batendo aí, e no meu mundo (risos), às vezes não tenho noção das coisas. Hoje sou um cara totalmente diferente disso, mas tive que passar por anos de terapia que me ajudaram muito. Mas foi difícil, a cobrança aqui é totalmente diferente em qualquer outro clube. Aqui perder dois, três jogos, já começa a loucura.
Confira as últimas notícias sobre Esportes: florianonews.com/esportes
Siga @florianonews e curta o FlorianoNews












