Trio Janaju dá voz à natureza no bom álbum Lindeira entre cateretê, ecos mineiros e canções
14/01/2026 17h09Fonte G1 cultura
Imagem: Reprodução

Backing vocal de Roberto Carlos desde 2001, a cantora Jurema de Cândia completa 25 anos na banda RC 9 em 2026. A longeva ligação profissional entre os dois artistas explica a presença estranha de pot-pourri com quatro canções de Roberto e Erasmo Carlos (1941 – 2022) – “As canções que você fez pra mim” (1966), “Eu te amo, te amo, te amo” (1968), “Se você pensa” (1968) e “É preciso saber viver” (1968) – entre as 10 faixas do primeiro álbum do Janaju, “Lindeira”, programado para 28 de janeiro.
Janaju é o trio carioca formado por Jurema com a irmã Nair de Cândia e o cunhado Jaime Alem, companheiro de Nair, com quem Alem já gravou o álbum “Jaime & Nair” (1974), lançado há 52 anos.
Jaime Alem – cabe lembrar – foi o maestro e diretor musical de Maria Bethânia por 25 anos, de 1985 a 2010, em conexão profissional iniciada em 1982, ano em que Alem fez os arranjos vocais de memorável show da cantora, “Nossos momentos”, tendo Jurema e Nair como backing vocals.
Violonista, Jaime Alem é também violeiro e extrai sons evocativos das terras do Brasil rural. A combinação de sons das terras e dos rios, da natureza enfim, molda o repertório de “Lindeira”, álbum que chega cinco anos após o primeiro single do trio, “Homens de pedra” (2020).
É nessa trilha que caminha o Janaju, como mostra a gravação de uma das duas parcerias de Alem com a poeta Etel Frota incluída no álbum, “O rio que chora”, cuja correnteza parece carregar o som sagrado de Milton Nascimento, entre outras referências. O trem apita em “Lá onde eu moro” (Jaime Alem), faixa de balanço percussivo escolhida para gerar clipe.
Destaque do repertório do álbum, a música-título “Lindeira” – a outra música da lavra de Alem com Etel Frota – segue em correnteza serena com lirismo poético e o mais sedutor arranjo vocal do disco em gravação pontuada pelo toque rural da sanfona do pianista João Carlos Coutinho.
Ecos das Geraes reverberam em “Terra de heróis” (Carlos Rocha e João Marcos Alem), sinalizando que os sons de Minas (Clube da Esquina e Milton Nascimento, sobretudo) estão entranhados na alma do Janaju.
“Recém-nascido” (Jaime Alem) se assenta sobre as percussões de Reginaldo Vargas enquanto “Sonhos e contos reais” (Carlos Rocha e Jaime Alem) evoca cheiro de mato entre ecos do Boca Livre nos vocais dessa canção levada pelo violão do próprio Além sobre percussão suave. “Enigma” (Jaime Alem) e “Nem vem” (Jaime Alem) – faixa de pulsação vibrante – são outras músicas valorizadas pelas harmonizações das vozes do Janaju.
No fecho do álbum “Lindeira”, entre toques de violas e o baticum de tambores, o trio se volta para o universo caipira na pegada dançante do cateretê que move “Catira do Pinheiro”, parceria de Jaime Alem com Paulo César Pinheiro.
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