Thiaguinho oxigena o pagode com balanço bem black mas esbarra no repertório de álbum ao vivo

09/01/2026 12h40


Fonte G1 cultura

Imagem: ReproduçãoThiaguinho oxigena o pagode com balanço bem black mas esbarra no repertório de álbum ao vivo(Imagem:Reprodução)

 “Bem black”, álbum ao vivo que Thiaguinho lança hoje, 9 de janeiro, é desdobramento mais popular de um disco lançado pelo artista há onze anos, “Hey, mundo!” (2015), com incursões pelo R&B e o soul, mas sem se afastar do samba, gênero ao qual o cantor é associado no imaginário nacional.

Em “Bem black”, o samba é o mote do repertório composto por 14 músicas inéditas e por sete regravações, mas está junto e misturado com toques de gêneros da música black em arranjos pautados pelos sopros.

Entre as regravações, há abordagem do funk “Olhos coloridos” (Macau, 1982), brado de resistência e orgulho do povo negro que Thiaguinho reaviva com suingue em feat com a intérprete original do tema, Sandra de Sá, cantora que cunhou um lema, Música Preta Brasileira, para designar a música popular do Brasil, preta pela própria natureza miscigenada.

Sim, o samba sempre foi negro. O que Thiaguinho faz no álbum “Bem black” é revestir o gênero com um balanço evocativo dos bailes black, com um certo charme. Esse é o tom de sambas como “Conversa nova” (Vitão), “Me balançou” (Billy SP e Pierrot Jr.) e “A rua não tá facil” (Rodriguinho e Thiaguinho), mais moldados para um baile da pesada dos anos 1970 do que para a roda de “Tardezinha” na forma como foram formatados no álbum “Bem black”.

Esses pagodes de alma soul abrem o álbum gravado ao vivo em 6 de novembro, em evento fechado no Club Homs, na cidade de São Paulo (SP), com produção musical orquestrada pelo próprio Thiaguinho com Wilson Prateado.

A dupla de produtores também assina a composição que dá nome ao álbum “Bem black”, tema que expõe as boas vibrações de gravação alto astral, de tom festivo, exemplificado pela faixa “Entra no clima” (Bombozinho, Joey Mattos e Milthinho). “Bem black”, tanto o álbum como sobretudo a música, também pode ser entendido como um manifesto de união e paz do povo negro.

No mosaico black das 11 faixas do primeiro volume do álbum (a segunda metade será lançada em meados deste ano de 2026), faz todo sentido a participação do grupo paulista Sampa Crew no R&B “Vai me ver feliz” (Thiaguinho e Wilson Prateado). Afinal, o Sampa Crew marcou época na década de 1990 com som pautado pelo R&B e pelo soul, mas com um toque de pagode romântico, fazendo lá atrás o caminho inverso que Thiaguinho segue em 2026.

Partindo do samba, Thiaguinho tenta ecoar o balanço da Pilantragem de Wilson Simonal (1938 – 2000) em “Da nossa maneira” (Gabriel Barriga e Thiaguinho) e presta tributo a dois pioneiros do funk e do soul brasileiros, Cassiano (1943 – 2021) e Tim Maia (1942 – 1998), celebrados com as regravações de “Primavera” (Cassiano e Silvio Roachel, 1970) e “Coleção” (Cassiano, 1975), pérolas do soul nacional unidas em medley por Thiaguinho com base de samba, quase como se estivesse na roda popular do “Tardezinha”.

E aí, por mais que as releituras estejam distantes da beleza das gravações originais, o álbum evidencia a supremacia do repertório antigo com o cancioneiro inédito reunido por Thiaguinho em “Bem black”. Essa é a limitação desse bom álbum oxigenado em que Thiaguinho vai além das fórmulas básicas do pagode sem se afastar do samba.



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Tópicos: samba, thiaguinho, cassiano