Irmãos são condenados a mais de 35 anos de prisão por assassinato de policial penal em Parnaíba

20/05/2022 12h32


Fonte G1 PI

Imagem: ReproduçãoJulgamento pelo Tribunal do Júri de Parnaíba dos irmãos acusados de matar policial penal.(Imagem:Reprodução)Julgamento pelo Tribunal do Júri de Parnaíba dos irmãos acusados de matar policial penal.

Os irmãos Cândido de Souza Araújo e Rauellison de Souza Araújo foram condenados nesta quinta-feira (19) pelo homicídio do policial penal José Silvino da Silva, então coordenador de disciplina da Penitenciária Mista de Parnaíba . Somadas as duas penas, os dois devem cumprir 74 anos de prisão.

Cândido de Sousa Araújo já é condenado a cerca de 33 anos de prisão. Nesta quinta, ele foi condenado a mais 39 anos de reclusão. Ao todo são 72 anos de prisão.

Rauellison de Souza Araújo, de 24 anos, já é sentenciado a 59 anos de prisão. Agora, deve cumprir a mais 35 anos. Somadas, as penas dele chegam a 94 anos de prisão.

Os dois foram condenados pelos crimes de homicídio qualificado, associação criminosa e disparo de arma de fogo. Cândido foi condenado também por comunicação falsa de crime e falsidade ideológica.

O julgamento aconteceu nesta quarta-feira (19), no Fórum de Parnaíba. O promotor Márcio Carcará, representante do Ministério Público no julgamento, disse que o resultado foi satisfatório, e que o Júri acolheu todos os pedidos feitos pelo MP.

“A gente queria uma pena mais alta, mas consideramos que o decidido foi relevante. São pessoas de altíssima periculosidade, que mataram um agente público para mostrar ‘que o crime é quem manda’. A condenação é uma resposta a isso”, comentou.

O delegado e ex-policial penal Charles Pessoa, que presidiu a investigação que resolveu o crime, disse ao g1 que a condenação dos dois irmãos traz um sentimento de Justiça para a categoria.

“Esse caso demonstra o risco que há em exercer qualquer função dentro do sistema de Justiça. Mas ontem, a sociedade, através do Júri, deu a resposta de que não admitiremos nenhuma ação contra um agente da segurança”,
comentou.

O diretor de comunicação do Sindicato dos Policiais Penais do Piauí (Sinpoljuspi), José Roberto Pereira, lembrou que os policiais penais são os representantes do estado que permanecem em contato com os criminosos depois das condenações, e que convivem com o risco e tensão constantes que causam transtornos físicos e psíquicos, quando não são vítimas dos criminosos.

“Nossa profissão é considerada a segunda mais perigosa do mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho. A Polícia Penal, responsável pelo cumprimento da pena imposta, permanece anos, décadas frente a frente com as pessoas presas, e é sobre o policial penal que elas descarregam toda sua fúria",
comentou.

Morto por ser agente penal

Segundo o delegado Eduardo Aquino, a segunda testemunha que foi ouvida no julgamento, os réus são integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O delegado iniciou as investigações do crime na época e realizou a prisão dos irmãos. Ele declarou que eles teriam matado o policial penal para servir de "exemplo" e impor as ações da facções.

“Silvino foi executado para representar, para dizer que (a facção) prevalece sobre qualquer sistema e se impõe acima do estado e de qualquer servidor público”,
disse em depoimento ao promotor de Justiça Márcio Carcará.

Alta periculosidade e extensa ficha criminal

O delegado disse ainda que os irmãos são faccionados e de alta periculosidade. “Desde o começo, nos primeiros contatos com os dois réus, sentimos a periculosidade dos dois. Foram feitas interceptações, áudios, onde se vê a ousadia, um nível de afronta, por essas situações e o contexto comprobatório se vê o nível de periculosidade e afronta dos dois réus", disse o delegado.

"Rauellison é sentenciado a mais de 59 anos de prisão, sendo acusado em 6 processos pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio, receptação, latrocínio tentado, falsidade ideológica, associação criminosa, comunicação falsa de crime e disparo de arma de fogo",
diz a denúncia do MP.

O documento informa ainda que "Cândido responde por 8 processos nos Estados do Piauí e Pará. No Estado do Piauí são 4 processos, sendo denunciado por homicídio qualificado tentado; fuga de pessoa presa ou submetida a medida de segurança; homicídio qualificado, associação criminosa, comunicação falso crime, falsidade ideológica; disparo de arma de fogo e latrocínio tentado".

No Pará, Cândido foi sentenciado a 4 processos, pelos crimes de roubo majorado; falsidade ideológica; roubo qualificado, bem como roubo e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. No total a pena de Cândido ultrapassa 33 anos de prisão.

Em 19 de março de 2018, os irmãos Cândido e Rauellison tentaram fugir da Penitenciária Mista Juiz Fontes Ibiapina, mas somente o Cândido conseguiu deixar a unidade prisional.

Morto em seu estabelecimento
Imagem: Divulgação/Sinpoljuspi Clique para ampliar Agente foi executado por dois homens em uma moto.(Imagem:Divulgação/Sinpoljuspi ) Agente foi executado por dois homens em uma moto.

A primeira testemunha ouvida foi Francisco Daniel, que era funcionário de Silvino no pet shop que a vítima tinha. Ele contou que, no dia do crime, duas pessoas chegaram em uma moto. Um deles, de capacete, entrou no local e perguntou pela vítima.

“Ele estava no depósito e foi se aproximando da frente da loja, quando o homem que já estava com a arma na mão atirou na cabeça dele e ele caiu no chão. O outro ficou em cima da moto ligada, também de capacete. Quando ele caiu eu corri para trás do balcão e ele ainda deu uns quatro ou cinco tiros”,
afirmou Daniel.

O crime

Segundo a denúncia do MP, no dia do crime, os dois estavam passando pelo estabelecimento da vítima quando reconheceram que Silvino era um policial penal e decidiram matá-lo.

Os dois utilizaram uma motocicleta emprestada e, para dificultar as investigações, informaram à polícia que o veículo tinha sido furtado.

"Ao perceberem se tratar de agente penitenciário, decidiram matá-lo (...) por motivo fútil e torpe, com emprego de meio cruel e recurso que tornou impossível ou dificultou a sua defesa e ainda por ser Agente Penitenciário", informou o Ministério Público.

Tópicos: crime, condenado, processos