Dia dos povos indÃgenas: projeto da Uespi une saberes e tradicionais em comunidades indÃgenas
19/04/2026 13h21Fonte Governo do PiauÃ
Projeto “Roça e Quintais sem Fogo” atua diretamente em comunidades indígenas e tradicionais.Hoje, 19 de abril, data em que é celebrado o Dia dos Povos Indígenas, chama atenção para a importância da valorização das culturas, saberes e modos de vida dos povos originários do Brasil. Instituída em 1943, a data surgiu a partir de debates internacionais sobre a realidade indígena nas Américas e, ao longo do tempo, passou a representar um momento de reflexão sobre o respeito aos territórios, às identidades e às tradições dessas comunidades.
Nesse contexto, iniciativas desenvolvidas no âmbito da universidade pública contribuem para fortalecer esse diálogo com os povos indígenas. Na Universidade Estadual do Piauí (UESPI), o projeto “Roça e Quintais sem Fogo” atua diretamente em comunidades indígenas e tradicionais, promovendo práticas sustentáveis de produção e incentivando a troca entre o conhecimento acadêmico e os saberes locais.
Imagem: Divulgação
Equipes do projeto realizam visitas técnicas em áreas de implantação agroecológica.
Equipes do projeto realizam visitas técnicas em áreas de implantação agroecológica.Desenvolvido pelo professor do curso de Agronomia Valdinar Bezerra, do campus de Parnaíba, o projeto tem promovido ações voltadas à produção agroecológica em comunidades indígenas, quilombolas e rurais no estado. A iniciativa, aprovada por meio de chamada do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), integra as atividades do Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Agroecologia da instituição.
A proposta consiste na implantação de unidades demonstrativas de produção baseadas em sistemas agroflorestais, que buscam conciliar o cultivo de alimentos com a preservação ambiental. Diferente dos modelos convencionais, o projeto não utiliza agrotóxicos nem promove o revolvimento intenso do solo, priorizando o uso de insumos disponíveis nas próprias comunidades e práticas que imitam os processos naturais.
A equipe conta com oito bolsistas da Uespi e dois egressos da instituição, além de participantes das próprias localidades atendidas, incluindo indígenas, quilombolas e jovens em diferentes níveis de formação. Esses bolsistas acompanham o desenvolvimento das áreas implantadas, fortalecendo a troca de conhecimentos entre a universidade e as comunidades e contribuindo para a continuidade das práticas adotadas.
Imagem: Divulgação
Participantes do projeto em área de implantação de sistema agroflorestal em comunidade atendida pela iniciativa.
Participantes do projeto em área de implantação de sistema agroflorestal em comunidade atendida pela iniciativa. De acordo com o professor Valdinar Bezerra, a ideia central do projeto é desenvolver uma agricultura mais sustentável, com menor impacto ambiental e maior eficiência para o produtor, trabalhando com sistemas diversificados, onde várias culturas convivem na mesma área, respeitando a natureza, sem o uso de veneno e com o mínimo de intervenção no solo.
O docente também destaca que a iniciativa vai além da produção agrícola, contribuindo diretamente para a qualidade de vida das populações atendidas. “Esse trabalho tem um impacto muito importante, porque dialoga com a realidade dessas comunidades, especialmente indígenas, quilombolas e rurais. A gente percebe uma aceitação muito positiva, porque são práticas que reduzem o esforço no campo e ao mesmo tempo garantem uma produção mais sustentável”, afirma.
Além disso, ele ressalta o protagonismo das próprias comunidades no desenvolvimento das atividades. “Os moradores participam diretamente do projeto, inclusive como bolsistas, acompanhando as áreas e contribuindo com o conhecimento local. Isso fortalece não só a produção, mas também a valorização das práticas tradicionais e a construção coletiva das soluções”, completa.
Imagem: Ascom Uespi

O estudante Leonardo Rodrigues, do curso de Agronomia da Uespi e bolsista do projeto, destaca que a experiência vai além da prática acadêmica, promovendo uma relação direta com as comunidades atendidas. “Tem sido uma experiência muito transformadora, porque a gente não só leva a universidade para dentro das comunidades, mas também aprende com elas. Existe uma troca muito forte entre o conhecimento científico e o saber local. Esse contato abre nossos horizontes e mostra que o conhecimento que vem das comunidades é fundamental. É uma experiência que transforma tanto a gente, quanto as pessoas que participam”, afirma.
A estudante Thayane Silva ressaltou que a participação no projeto tem sido marcada pelo contato direto com as comunidades e pela valorização dos saberes locais. “Participar desse projeto tem sido uma experiência única, porque a gente aprende conhecimentos que não adquire em sala de aula. Quando chegamos à comunidade, o mais importante é escutar, acolher e entender as demandas das pessoas. A partir desse diálogo, conseguimos desenvolver ações que realmente atendem às necessidades locais e beneficiam toda a comunidade”.
Atualmente, as ações estão sendo desenvolvidas em diferentes territórios do Piauí, incluindo comunidades indígenas, quilombolas e assentamentos rurais nas regiões de Parnaíba, Piripiri e Lagoa de São Francisco. A expectativa é que o projeto seja ampliado para outros municípios nos próximos meses, conforme a articulação com novos parceiros institucionais.
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