Conheça a história de mulheres que impactam a economia, cultura e o desenvolvimento social do Piauí

08/03/2026 14h16


Fonte Governo do Piauí

No Dia Internacional da Mulher, o Governo do Estado destaca o exemplo de cinco mulheres que impactam diretamente a economia, a cultura e o desenvolvimento social do Piauí. Do litoral à Serra da Capivara, passando pelo artesanato tradicional, pelo empreendedorismo sustentável e pela carreira jurídica, essas mulheres mostram como o protagonismo feminino fortalece o estado.

A trajetória de Rosa Silva, Luzilene Soares, Ana Paula Aragão, Taíse Oliveira e Fides Angélica revela diferentes caminhos, mas um ponto em comum: geração de renda, preservação cultural e pioneirismo profissional.
Imagem: DivulgaçãoO Projeto Bordados da Caatinga já capacitou mais de mil mulheres ao longo de seis décadas.(Imagem:Divulgação)O Projeto Bordados da Caatinga já capacitou mais de mil mulheres ao longo de seis décadas.

Empreendedorismo no litoral

Na Praia da Pedra do Sal, em Parnaíba, a trajetória de Rosilene Silva, de 60 anos, é exemplo de superação. Há 30 anos, após perder a mãe e se tornar mãe solo de duas filhas, uma delas com paralisia cerebral, ela transformou uma pequena barraca de madeira no restaurante Bar da Rosa, hoje referência em turismo na região litorânea do estado.

Para cuidar da família, ela enfrentou dificuldades financeiras, períodos de depressão e chegou a interromper o negócio temporariamente e depois recomeçar do zero. Trabalhou como doméstica, reorganizou a vida e voltou à Pedra do Sal para reconstruir seu empreendimento. “A mulher já é, em si, discriminada na sociedade, principalmente quando ela é mãe solo, sem família, como eu cheguei no litoral, órfão de pai e mãe. Foi difícil, mas todos esses desafios serviram de tijolo para fazer a escada da vitória”, afirma a empreendedora.
Imagem: Arquivo pessoalRosilene Silva é empresária e mãe solo de duas filhas.(Imagem:Arquivo pessoal)Rosilene Silva é empresária e mãe solo de duas filhas.

Atualmente, Rosilene busca realizar outro sonho, o de ter um diploma do ensino superior. Ela cursa Ciências Sociais na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), incentivada pela filha. Para ela, a educação ampliou sua visão de mundo e fortaleceu sua atuação como líder comunitária. No Dia da Mulher, Rosa deixa uma mensagem firme: “Nós não somos sexo frágil. Somos mulheres guerreiras e capazes de mudar nossa comunidade”.
Imagem: Arquivo pessoalRosilene estuda para realizar o sonho de ter um diploma do ensino superior.(Imagem:Arquivo pessoal)Rosilene estuda para realizar o sonho de ter um diploma do ensino superior.

Referência nacional de sustentabilidade

Quando tinha 54 anos, Luzilene Soares transformou dor e luto em propósito. Hoje, com 57, comemora os três anos da sua marca de sabão artesanal, um negócio sustentável que transforma óleo de cozinha que seria descartado de forma incorreta em produtos ecológicos certificados na cidade de Guadalupe.

Após perder o esposo e enfrentar a depressão, encontrou no artesanato e na reciclagem um recomeço. O ponto de virada veio quando decidiu recolher óleo que seria descartado no meio ambiente. “O impacto vai além do produto. As pessoas passam a repensar o descarte e o consumo consciente. Quando comecei a recolher mais de 80 litros de óleo e percebi o impacto ambiental e econômico gerado, entendi que já não era apenas um negócio, era um projeto de transformação social e ambiental”, completou a empreendedora.
Imagem: DivulgaçãoLuzilene Soares comemora os três anos da sua marca de sabão artesanal.(Imagem:Divulgação)Luzilene Soares comemora os três anos da sua marca de sabão artesanal.

Finalista nacional do Prêmio Nacional Sebrae Mulher de Negócios em 2024, a Luzilene se tornou símbolo de representatividade para o empreendedorismo feminino piauiense. Seu trabalho une geração de renda, para quem participa do projeto, e impacto ambiental, para quem consome.

Bordando a cultura

Na caatinga piauiense, em Dom Inocêncio, Ana Paula Aragão dedica há mais de 20 anos sua trajetória à coordenação dos Bordados da Caatinga, projeto desenvolvido pela Fundação Ruralista que já capacitou mais de mil mulheres ao longo de seis décadas.

A iniciativa mantém viva a técnica do ponto cruz inspirada nos elementos da caatinga. As bordadeiras recebem matéria-prima, produzem as peças e são remuneradas pelo trabalho, criando uma rede organizada de geração de renda. “É cultura, identidade e transformação social. Cada peça carrega tempo, cuidado e amor”, destaca Ana Paula, que aprendeu a bordar com a mãe e a avó.
Imagem: Ascom SudarpiAna Paula, dos Bordados da Caatinga.(Imagem:Ascom Sudarpi)Ana Paula, dos Bordados da Caatinga.

Ao longo dos anos, ela viu mulheres conquistarem autonomia financeira, comprarem eletrodomésticos, reformarem casas e complementarem a renda familiar por meio do artesanato. “Preservar esses saberes é garantir que as próximas gerações valorizem o que é nosso”, reforça Ana Paula.

Arte ancestral

Na região da Serra da Capivara, no sul do Piauí, a história da cerâmica inspirada nas pinturas rupestres é marcada por liderança feminina. Hoje, à frente da Cerâmica da Serra da Capivara, Thaise Oliveira dá continuidade a um legado iniciado pela arqueóloga Niède Guidon (1933-2025) e fortalecido pela gestora Girleide Oliveira (1962-2025), responsável pela expansão comercial do projeto e produtos.

A cerâmica, que reproduz elementos das pinturas rupestres presentes no território piauiense, tornou-se símbolo de identidade cultural. As peças são comercializadas em todo o Brasil e, segundo Thaise, exportadas para países como Itália, Estados Unidos e França. “Essa história precisa ser continuada. É um legado que transforma a comunidade e leva o nome do Piauí para o mundo”, disse a coordenadora da cerâmica.
Imagem: Arquivo pessoalThaise Oliveira dá continuidade a um legado iniciado pela arqueóloga Niède Guidon.(Imagem:Arquivo pessoal)Thaise Oliveira dá continuidade a um legado iniciado pela arqueóloga Niède Guidon.

A nova gerente trabalhou com Girleide por 17 anos, primeiro no ateliê, e posteriormente passou ao setor administrativo, onde aprendeu a gerir o local. Atualmente, Thaise gerencia o complexo que reúne ateliê, pousada e cerâmica e gera centenas de empregos.

Liderança pioneira

Natural de Floriano, Fides Angélica Ommati construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo. Foi a primeira mulher a presidir a Academia Piauiense de Letras (APL), em 2023, a primeira a comandar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), atuando na seccional Piauí, em 1987, e também a primeira professora do Curso de Direito da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em 1972.

“Nunca me prendi a rótulos. Sempre procurei fazer bem aquilo a que me propus. O magistério é a mais importante das minhas atividades, verdadeira missão, que sempre executei com esmero, não somente para transmitir conhecimentos, mas, principalmente, formar pessoas segundo princípios de responsabilidade pessoal e social e de esforço para continuado aperfeiçoamento intelectual”, resume a jurista.
Imagem: Gabriel PaulinoFides Angélica Ommati(Imagem:Gabriel Paulino)Fides Angélica Ommati

Durante sua gestão na OAB-PI, participou dos debates nacionais que contribuíram para a consolidação democrática da Constituição de 1988. Sua trajetória abriu portas para que outras mulheres ocupassem posições de liderança nas instituições jurídicas do estado.

Mulheres que movem o Piauí

Neste Dia da Mulher, o Governo do Estado do Piauí reforça que investir em políticas públicas voltadas às mulheres é fortalecer famílias, comunidades e o desenvolvimento econômico e social do estado. Porque quando uma mulher avança, o Piauí inteiro avança com ela.

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Tópicos: mulheres, cultura, piauiense