Paixão de Cristo de Floriano: produção viajou para Israel para desenvolver figurinos e cenários

07/03/2026 09h02


Fonte G1 PI

Imagem: DivulgaçãoPaixão de Cristo de Floriano: produção viajou para Israel para desenvolver figurinos e cenários.(Imagem:Divulgação)Paixão de Cristo de Floriano: produção viajou para Israel para desenvolver figurinos e cenários.

A produção da Paixão de Cristo de Floriano realizou uma viagem a Israel para pesquisar elementos que ajudassem na criação dos figurinos, cenários e demais detalhes da encenação do espetáculo. A edição de 2026 será apresentada nos dias 3 e 4 de abril, às 20h, na Cidade Cenográfica do município.

Considerado um dos maiores espetáculos de teatro religioso a céu aberto do mundo, o evento mobiliza uma equipe técnica que trabalha na recriação de aspectos históricos da época em que viveu Jesus.

Para isso, foram realizadas pesquisas em diferentes locais, incluindo uma visita ao Museu da Moda, em Gramado (RS), além de um tour por cidades israelenses ligadas à narrativa bíblica.

Durante a viagem, a equipe passou por Jerusalém, Caná, Nazaré, Tiberíades e Cafarnaum, observando vestimentas, cenários, adereços, costumes e formas de comportamento social que ajudassem na composição visual do espetáculo.

Segundo o diretor da encenação, Cesar Crispim, cerca de 70% dos figurinos do elenco principal já estão prontos, e a previsão é que as roupas dos personagens coadjuvantes sejam concluídas ainda em março.

“Tanto que o figurino de Pilatos tem uma textura e uma cor de pele de ovo, que é uma cor que era muito usada na época. Para eles, não era uma questão de escolha, pois essas cores eram as que a lã oferecia”, explicou.

No caso dos discípulos, o espetáculo utiliza variações de tons naturais para reforçar a ambientação histórica.

“No espetáculo será em tons sobre tons: diversos tons de marrom para o branco, entre o branco e casca de ovo, pele de ovo e o marrom, e tons de bege para o amarronzado. Justamente para criar essa harmonia e a pessoa ter essa ideia de que de fato ela está em Jerusalém”, acrescentou.

O personagem de Jesus terá cinco figurinos diferentes ao longo da apresentação, devido às trocas necessárias em momentos específicos da narrativa, como o batismo, a crucificação e a ressurreição.

Neste ano, a cor escolhida foi a terracota, inspirada no barro vermelho e em pigmentos naturais utilizados no período.

Já Maria Madalena aparecerá inicialmente com um figurino em tom de verde, representando a fase da personagem antes de sua conversão.

O figurino do rei Herodes também se destaca por detalhes mais elaborados, que remetem à riqueza do personagem, com referências a tecidos finos e elementos inspirados em fios de ouro e pérolas.

O traje de Pilatos também foi desenvolvido para produzir movimento durante a cena, reforçando a imponência do personagem em sua primeira aparição, quando chega a Jerusalém.

Figurino do diabo propõe reflexão

Um dos figurinos que mais se diferencia nesta edição é o do personagem que representa o diabo. De acordo com o diretor, a proposta foi criar um traje que permita uma transformação em cena.

“Nós tivemos um pensamento, uma dúvida: o diabo é homem ou é mulher? Por isso começamos com roupas femininas e, num passe de mágica, retira-se a parte feminina e ele fica somente masculino. Assim, metade da cena ele é feminino e metade ele é masculino”, explicou.
Segundo Crispim, a ideia é provocar uma reflexão sobre a tentação e o mal, que podem assumir diferentes formas e não necessariamente uma única personificação.

Para a produção das roupas, o grupo conta com o trabalho dos costureiros John Wesley e Rosa Alves, que participam da confecção dos figurinos do espetáculo há cerca de duas décadas e também produzem peças para outros grupos de teatro da região.

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