Pedro enterra polêmica com Filipe Luís e celebra volta por cima no Flamengo com Jardim

21/04/2026 10h17


Fonte ge

O pequeno Pedro quando ia dormir na cama dos pais já sabia que no lugar das canções de ninar teria algo mais lúdico para lhe fazer sonhar: as narrações de gols do Zico pelo Flamengo reproduzidas na voz do rubro-negro Seu Marcão.

Daquele menino sonhador ao adulto, que hoje também é pai, e ao jogador, que se tornou o maior artilheiro do clube no século, com 164 gols (e contando), tem muita história. Como o próprio camisa 9 disse ao receber semana passada uma homenagem do clube pelo recorde, "passa um filme na cabeça".
Imagem: Rodrigo Cerqueira / gePedro em entrevista no Flamengo.(Imagem:Rodrigo Cerqueira / ge)Pedro em entrevista no Flamengo.

E como todo bom roteiro tem suas reviravoltas, as cenas de terror também acompanharam o personagem principal. Pedro precisou lidar com frustrações durante vários capítulos. Sejam elas graves lesões cirúrgicas ou duras polêmicas, como a que viveu com Filipe Luís no ano passado, ao ser cobrado publicamente pelo então treinador rubro-negro.

— Já passei por tanta coisa que aquilo foi só mais uma que pude superar, vencer — pontuou Pedro em entrevista que vai ao ar nesta terça-feira no programa Globo Esporte da TV Globo.

Aliás, o camisa 9 do Flamengo não dava uma entrevista exclusiva há muitos anos. Apesar de ter tido bons momentos em campo nesse período, vira e mexe acontecia alguma frustração que lhe tirava do prumo. Agora, Pedro enfim vive dias de paz. Titular, decisivo, fazendo história... E com a confiança do novo técnico:

Tem sido um início sensacional do Jardim".

— Pedro, artilheiro do Flamengo.
Imagem: Gilvan de Souza / FlamengoPedro comemora um gol com Leonardo Jardim no Flamengo.(Imagem:Gilvan de Souza / Flamengo)Pedro comemora um gol com Leonardo Jardim no Flamengo.

Veja a entrevista na íntegra:

ge: Quando você recebeu a homenagem disse que passava um filme na cabeça. Como tem sido esse filme? Tem sido tudo que imaginava?

— Sem dúvida, filme de toda a minha vida, minha trajetória. Eu cresci ouvindo meu pai falar do Flamengo, do Zico, Andrade, Adílio, Nunes... Jogadores que fizeram história no Flamengo. E eu que vim da arquibancada, poder vivenciar isso dentro de campo é gratificante. Quando chegar a notícia que o Flamengo me queria foi uma alegria muito grande no meu coração, na minha família também. E poder agora, passando todo esse tempo e ver o que eu conquistei, o que venho conquistando aqui dentro, passa um filme.

— Cheguei ao futsal do Flamengo com oito anos. Sem dúvida nenhuma era algo que eu sonhava, estava próximo e Deus realizou agora, nesse tempo. Era um desafio chegar em um clube que tinha conquistado tudo em 2019, mas eu pode conquistar meu espaço, trabalhar. Então é o filme de tudo aquilo que eu vivi e sonhei.
Imagem: Luiza SáFlamengo faz homenagem a Pedro, maior artilheiro do clube no século.(Imagem:Luiza Sá)Flamengo faz homenagem a Pedro, maior artilheiro do clube no século.

Você tem batido uma marca atrás da outra. Faz a contabilidade de tudo em um caderninho?

— Não fico muito pensando nisso, as coisas vão acontecendo naturalmente, os gols vão saindo, e do nada vai aparecendo que está para bater tal marca. Claro que isso é gratificante quando bato, mas eu não fico pensando nisso, senão... Acho que mais atrapalha do que ajuda porque acaba ficando ansioso, pensando nos números. As coisas acontecem naturalmente, dentro de campo é onde tenho que focar, que estar pensando o tempo todo, em ajudar a equipe. E o individual vai sobressaindo naturalmente. Mas claro que eu fico muito feliz com cada marca que atinjo.

Seja na lista dos maiores artilheiros da história do clube ou do Maracanã há nomes como Zico, Romário, Dinamite... E agora tem seu nome lá perto deles. Como é isso?

— São grandes ídolos que eu cresci ouvindo falar. Meu pai, quando eu era pequeno e ia dormir no quarto dos meus pais, ele ficava narrando gol do Zico para mim. Então para ter uma ideia de como eu chego e olho que o Zico está ali, próximo, o Romário está ali perto também... Um sonho que eu realizo, coisas que Deus fez na minha vida que são muito mais do que um dia eu sonhei. Fico lisonjeado de estar perto desses grandes ídolos, e claro, do maior que é o Zico, uma referência não só para mim, mas por todas as gerações que passam pelo Flamengo.

O Dadá Maravilha já dizia que não existe gol feio, feio é não fazer gol. E entre tantos seus, há uma assinatura que é o gol de peito. Dá tempo de pensar nisso na hora?

— Qualquer gol que eu faça é importante, não tem essa se foi bonito. Importante é passar da linha do gol (risos). Quando eu faço de peito acho que é porque é a maneira mais fácil, para mim, de colocar para dentro do gol, não é maneira de querer ser mais bonito. Claro que fica bonito, é um gol diferente, não é normal fazer gol de peito. Eu tenho alguns na carreira, mas acho que é a maneira mais fácil. Contra o Fábio eu pude tirar dele, colocar por cima dele. É algo que eu trabalho e um recurso que dentro da área o atacante tem que ter.
Imagem: Gilvan de Souza / FlamengoGol de peito de Pedro contra Fábio no Fluminense x Flamengo.(Imagem:Gilvan de Souza / Flamengo)Gol de peito de Pedro contra Fábio no Fluminense x Flamengo.

E de bico, é bonito?

— É bonito (risos). No futsal, então, acontece toda hora. Vim do futsal, então para mim é normal. Acho que foi o primeiro no campo (contra o Independiente Medellín), não me recordo agora. Mas é bonito também, é um gol que acelera a finalização. Eu dominei e acelerei rápido de bico, é algo que o goleiro não espera na saída dele. Qualquer gol é bonito (risos).

Tem dois gols de bico famosos, do Ronaldo contra a Turquia e do Romário contra Camarões, ambos pela Seleção em Copas do Mundo. Já viu?

—Já assisti, são gols que realmente lembram. Foi até no mesmo canto. Eu pude fazer um parecido. Mais uma vez, perto desses caras é incrível para mim ser lembrado por isso também.

Qual dos três foi mais bonito?

— Ah, o do Ronaldo foi mais difícil. Ele estava mais para o canto da área.

E por falar em Seleção, como está vivendo essa expectativa de ir para a Copa?

— O sonho continua aceso. Claro que eu sempre trabalho com objetivo, também é objetivo estar na Seleção. Eu estou no Flamengo, o maior clube do Brasil, e tudo que eu faço aqui reflete para estar perto da Seleção. E eu tenho a consciência que tenho que estar bem aqui para ir. Então meu foco principal é aqui, buscar títulos, e o Flamengo pode me proporcionar isso.

— Em relação à Seleção, sempre estive ali próximo. Ia ter a minha primeira titularidade com o Dorival quando tive a lesão muito grave no joelho. Acabou me afastando, mas consegui retornar, estar ali novamente no radar. O Ancelotti comentou até em coletiva que eu poderia estar (na lista) se eu não tivesse tido uma nova lesão na penúltima convocação. Mas eu sonho, até a lista final vou estar com esse sonho aceso e, se Deus quiser, estar em mais uma Copa do Mundo.
Imagem: ReproduçãoPedro disputou a Copa do Mundo de 2022 com a Seleção.(Imagem:Reprodução)Pedro disputou a Copa do Mundo de 2022 com a Seleção.


Você é muito relegioso. Seja no período de lesão ou de não estar jogando muito, foi nisso que se apegou?

— Com certeza, todo momento difícil que passei na vida foi por um aprendizado ou amadurecimento, e claro que Deus me deu muita força para superar. Eu estava na Seleção, muito perto de ser titular, então é algo que pelo contexto foi muito difícil para mim. Mas creio que Deus faz tudo certo e no tempo certo também. Acreditei que poderia voltar, dar a volta por cima, e foi o que aconteceu. Creio que a recuperação foi muito boa, um tempo muito curto de seis meses e pouco, quase sete, algo que não se vê normalmente.

— Minha família me deu muita força nesse tempo, minha esposa, minhas filhas que estavam ali recém-nascidas. Sempre me apego em Deus porque Ele que me sustenta a cada dia. Eu tive uma lesão lá atrás também, da mesma forma, perto de ir para a Seleção, e superei, conquistei as minhas coisas. E por que não fazer de novo? Esse era meu foco, consegui voltar bem, não tive nenhuma lesão muscular, só a da fratura no braço. E por conta disso acho que tive a lesão muscular. Fico muito feliz de superar mais um momento difícil, na minha vida sempre consegui superá-los.

O quanto o Pedro pai mudou e fortaleceu o Pedro jogador?

— As gêmeas me deram muita força nesse tempo. Mesmo elas não sabendo ainda por serem pequenas, mas me sustentaram junto com a minha esposa, meus pais. Sem dúvida, ser pai é a melhor coisa do mundo, e a minha base, minha família, é minha prioridade. Eles me sustentam a cada dia também.
Imagem: DivulgaçãoPedro, do Flamengo, ao lado das filhas.(Imagem:Divulgação)Pedro, do Flamengo, ao lado das filhas.

O Flamengo enfrenta agora o Vitória, pela Copa do Brasil, e no último duelo você fez um hat-trick. Sabe quantas vezes você fez três gols ou mais num mesmo jogo?

— Umas sete, pode ser? É isso? (Risos) Eu sei porque me mandaram esses dias, está fresco na memória.

É algo não muito comum de se ver. Você guardou camisas ou alguma lembrança desses hat-tricks?

— Eu fiz agora um museu lá em casa em que consegui colocar as bolas de hat-trick e poker-trick, que fala de quatro gols também. Guardo tudo lá com muito carinho, camisas também, troféu, medalha... Está tudo lá guardado, vai ficar para sempre na história minha, do clube, dos jogadores que passam pelo Flamengo.

O gol com elástico está entre os seus favoritos?

— Sem dúvida. Até pela jogada, pelo elástico. Um gol que não sai toda hora. Foi algo do momento ali, onde havia muitos jogadores, dei um elástico para sair deles e sair cara a cara com o goleiro. Sem dúvida, pe um dos mais bonitos da minha carreira.

O Globo Esporte fez o Top 5 dos seus gols mais bonitos (veja no vídeo abaixo). Concorda com a lista? Mudaria algum?

— Acho que seriam esses mesmo que eu iria escolher. Foram bem (risos). O mais difícil acho que foi esse do Fluminense, um nível de dificuldade muito grande pela distância.

Você sente na hora e opta por uma jogada de efeito? Já se arrependeu alguma vez? Pensou que poderia ter simplificado um lance?

— Não, ali eu penso no que o zagueiro não vai pensar (risos). Acho que o zagueiro não ia pensar que eu ia dar um elástico do nada ali e passar dele. É algo que eu tento improvisar realmente para pegar de surpresa o adversário. O goleiro também na hora de finalizar, fazer algo que ele não espera porque é a maior chance de conseguir fazer o gol.

Por que acha que não teve tanta sequência com Filipe Luís? E olhando agora para trás, aquela cobrança pública dele foi o momento mais desafiador que passou?

— Esse assunto já passou, eu já dou como encerrado. Eu pude conversar com ele, o chamei para conversar e tirar qualquer tipo de problema, cada um assumir as suas responsabilidades, seus erros, e tudo isso ficou muito bem resolvido. Mas claro que naquele período foi um tempo difícil, onde eu tive que dar a volta por cima, me reerguer dentro do Flamengo. Mas eu já passei por tanta coisa que aquilo foi só mais uma que pude superar, vencer. Graças a Deus está tudo resolvido, desejo sempre o melhor para o Filipe, que tenha sucesso na carreira de treinador, assim como teve como jogador.

— Nós conquistamos muitas coisas juntos, títulos, momentos memoráveis como nas vitórias contra Palmeiras, Botafogo, na Libertadores... Quartas e oitavas de final pude fazer gol, na semi eu acabo me machucando. Então tivemos uma era muito vitoriosa aqui juntos, e eu desejo o melhor para ele. Claro, eu não tive meu melhor momento nesse período aqui no Flamengo, mas não tive essa sequência como falei que estou tendo agora, podendo jogar um jogo atrás do outro, jogar 90 minutos... Não tive tanta oportunidade assim, mas sem dúvida serve de amadurecimento e aprendizado. Me fortaleceu ainda mais para poder conquistar tudo que venho conquistando. Espero com o Jardim continuar com essa era vitoriosa.
Imagem: Adriano Fontes / FlamengoFilipe Luís e Pedro se cumprimentam em jogo do Flamengo.(Imagem:Adriano Fontes / Flamengo)Filipe Luís e Pedro se cumprimentam em jogo do Flamengo.

E como tem sido construída essa relação com o Jardim?

— Tem sido um início sensacional do Jardim. Desde quando ele chegou me deu muita liberdade para conversar. Dentro de campo também tem me dado muita liberdade para fazer aquilo que eu seu fazer bem, sair da área, conseguir participar bem do jogo no pivô... Então é um cara que me deu muita confiança e também tem me dado muita sequência de jogo. Para qualquer jogador é fundamental isso, se sentir confiante.

— Fisicamente também poder estar bem, no seu auge. Não só comigo, mas todo o grupo tem ido muito bem nesse início do Jardim. Ele é um cara que mostra que está muito confiante também, querendo muito ganhar títulos aqui no Flamengo. Então ele tem dado essa liberdade e um cara que cobra muito no dia a dia também. Sem dúvida nenhuma, tem tudo para fechar com títulos esse ano. É tudo que a gente quer e espera, com trabalho e humildade para poder chegar lá.

O Arrascaeta já renovou contrato e o Bruno Henrique está em vias de, e a tendência é que ambos se aposentem no clube. Você também tem esse pensamento de continuar no Flamengo até pendurar as chuteiras? Já procuraram você para conversar sobre renovação?

— Ainda não estou pensando em aposentadoria, estou com 28 anos (risos). Vou ficando, vou ficando (risos). Mas claro que penso muito no momento. Em relação a estender contrato não cabe tanto a mim, mas eu sou muito feliz aqui no Flamengo, é inevitável. Claro que quero fazer mais histórias com essa camisa, continuar fazendo gols e ganhar títulos. A cada dia que passo aqui é um sonho que realizo e espero continuar assim.
Imagem: Adriano Fontes / FlamengoPedro comemora um gol com Paquetá no Flamengo.(Imagem:Adriano Fontes / Flamengo)Pedro comemora um gol com Paquetá no Flamengo.

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Tópicos: copa, flamengo, jogador, pedro, gols