Paulista de 17 anos assina com gigante do beisebol dos EUA: "Brasil deve estar orgulhoso"
22/01/2026 13h47Fonte Globo esportes
Imagem: Divulgação/Red Sox
As lágrimas rolaram pelo rosto emocionado do jovem Cláudio Pereira após ele concretizar a assinatura mais importante de sua vida até então. Aos 17 anos e com 1,98 m, o arremessador destro fechou seu primeiro contrato profissional de beisebol. E foi logo com o gigante Boston Red Sox, dos EUA.
O acordo foi selado no último dia 15, mas é fruto de uma trajetória de quase uma década. Natural de Marília, no interior de São Paulo, Cláudio teve seu primeiro contato com o esporte aos oito anos, por meio de um projeto na escola em que estudava. No começo, chorava porque tinha que ficar nos treinos enquanto a mãe trabalhava, mas aos poucos foi pegando gosto pelo jogo, percebeu que levava jeito, e o sentimento se transformou.
"O beisebol tomou meu coração", relembrou Cláudio, em entrevista exclusiva ao ge.globo, a sua primeira como jogador do Red Sox. Ele cresceu jogando bola e queria ser atleta de basquete, inspirado em seu tio, mas decidiu apostar em uma modalidade com poucos holofotes no Brasil. "Futebol ficou para trás", brincou o agora novato do time nove vezes campeão da World Series da Major League Baseball (MLB).
Emoção muito grande, felicidade, tudo junto. Por isso acabei chorando, sempre foi sonho do meu pai. Sentimento de gratidão. Minha família desde sempre me apoiou quando comecei no beisebol."
Safra brasileira
Cláudio é um dos três jovens brasileiros que assinaram com times da MLB neste começo de ano, na abertura da janela internacional. Pietro Rienzo e Alexandre Moreti foram os outros, que vão defender Pittsburgh Pirates e Philadelphia Phillies, respectivamente.
O arremessador de Marília é visto internacionalmente como um dos maiores talentos do país nos último anos. Tanto que ficou no top 100 do ranking das promessas fora dos EUA e assinou com o Red Sox por sete anos, ganhando bônus de US$ 550 mil (equivalente a R$ 2,9 milhões).
Para ele, representar o Brasil como profissional de beisebol é um misto de sentimentos.
– Pressão gigante, o dia 15 [da assinatura] já passou, e agora fica tudo mais difícil. É controlar, vai ser difícil, mas sei que posso. Bora pra frente. Também é uma inspiração, o Brasil deve estar orgulhoso de mim, espero – complementou Cláudio.
Caso atue pela equipe principal do Red Sox, será o sexto brasileiro a jogar na elite da MLB. O garoto, que quase interrompeu o sonho no beisebol durante a pandemia, também tem uma mensagem aos compatriotas que estarão na torcida por ele:
– Nunca desistam dos seus sonhos, tudo pode acontecer, e confiem em si mesmos.
De Marília, rumo aos EUA
O caminho de Cláudio até fechar com a equipe da elite norte-americana passou por diversas idas ao exterior. Desde os 14 anos, ele vem viajando aos principais centros do beisebol mundial, como República Dominicana, Venezuela e os próprios Estados Unidos, para exibir seu talento a olheiros dos times da MLB em testes, os chamados "showcases".
Distante da família para seguir seu sonho, Cláudio era acompanhado nas viagens por seu empresário, Giovanny Cordero, que tem gravado na memória uma lembrança marcante de quando se conheceram.
– Vi o Claudinho com aquele olhar de fome. Eu o vi um pouco magro (risos), perguntei se tinha fome de virar grande, e ele me falou que sim. Acredito que nunca vou esquecer esse olhar da primeira vez que o vi – contou o agente.
Claudinho, como é carinhosamente chamado, logo despertou interesse dos times por seu potencial. O Red Sox, segundo o empresário, foi "agressivo" nas negociações e pediu que o jovem fizesse testes particulares com o time. O brasileiro impressionou pelo desempenho, as tratativas evoluíram até selarem o acordo com direito à presença do diretor-chefe da equipe, Craig Breslow, no dia da assinatura.
– Como jogador, temos certa pressão diante de um momento tão importante como aquele (testes privados), mas é confiar em si mesmo e fazer o que estamos dispostos a fazer – comentou o paulista.
Apesar de ter fechado com o time da MLB, Cláudio ainda terá uma longa trajetória até enfim chegar à elite do beisebol. Ele vai a princípio atuar pelas franquias do Red Sox nas chamadas ligas bases, começando na Dominican Summer League, assim como os demais novatos latinos. Depois, conforme for melhorando o desempenho, subirá a "escadinha" e disputará outras ligas menores nos EUA.
O jovem já está nas instalações do Red Sox na República Dominicana, seu primeiro destino, e iniciou os trabalhos de preparação para os próximos meses. Para 2026, o brasileiro tem seus objetivos em curto prazo bem definidos: evoluir fisicamente e passar apenas uma temporada na liga do país para ir logo aos EUA.
– Agora é treinar e focar bastante para a minha estreia como profissional – concluiu o garoto.
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