Derrota vai além das falhas de um Flamengo irreconhecível e que respira por aparelhos no Carioca

26/01/2026 09h03


Fonte ge

Começando pelo campo mais pesado em função da chuva. É prejudicial para os dois lados? Óbvio. Mas quem tem um maior número de jogadores longe das melhores condições sente mais, naturalmente. E o Flamengo, que foi o último clube a se reapresentar em 2026, esteve longe do mesmo frescor físico que impôs diante do Vasco. Do time titular, Alex Sandro, Ortiz e Allan pareciam ter as pernas pesadas naquele gramado encharcado.

No tema escalação, Filipe Luís manteve a estratégia de rodar o time. Mas acabou entrando em campo com um meio de campo muito pesado e pouco criativo, com dois volantes de marcação: Allan e Evertton Araújo. O técnico, que costuma dizer que sua forma de jogar exige muito dos volantes, até se justificou na entrevista coletiva dizendo que não tinha outra opção, pois o Pulgar só poderia jogar 45 minutos. Mas será que ele esqueceu que já improvisou o Varela ali e funcionou bem?
Imagem: André Durão / gePedro em Fluminense x Flamengo(Imagem:André Durão / ge)Pedro em Fluminense x Flamengo

Fato é que o Flamengo em nenhum momento controlou o meio de campo. O Fluminense, com dois volantes de vigor físico (Bernal e Nonato) e um meia que também sabe marcar (Lima), simplesmente tirou a bola dos rubro-negros (que só passaram a ter mais após sair atrás do placar) e foi superior na maior parte do jogo. Além dos dois gols, o time tricolor chegou outras duas vezes com perigo no primeiro tempo: em uma cabeçada de Guga e no chute de Serna defendido pelo estreante Andrew.

Como o Flamengo não conseguia ficar com a bola para criar, obrigava Pedro e Luiz Araújo a recuarem para buscar jogo. O centroavante conseguiu fazer alguns pivôs, mas longe da área adversária, enquanto o camisa 7 tentou atacar de armador, mas sem sucesso. A única chance de gol rubro-negra no primeiro tempo foi na bola parada: na cobrança de escanteio de Carrascal que desviou no meio do caminho e ficou à feição para Samuel Lino só empurrar para o gol vazio na segunda trave, mas ele errou o alvo aos 34 minutos (veja no vídeo abaixo).

A entrada de Pulgar no intervalo, no lugar de Allan, melhorou o passe do time. Porém, a troca já programada de Pedro por Bruno Henrique piorou a equipe ofensivamente. A bola batia no ataque e voltava, e o Flamengo mal conseguia assustar. Foram só sete finalizações, o menor número desde as seis que deu no empate em 0 a 0 com o Racing na Argentina, na semifinal da Libertadores do ano passado, quando jogou todo o segundo tempo com um homem a menos (Plata foi expulso).

O Flamengo só melhorou na substituição derradeira de Filipe Luís, com a entrada de Cebolinha. Ele fez um gol de oportunismo na bola parada, aos 27 minutos, e quase empatou o jogo em linda jogada individual que Fábio defendeu aos 36 (veja no vídeo abaixo). O atacante tem sido mais produtivo do que Samuel Lino neste início de temporada e, por meritocracia, não pode ficar como última opção.

O Flamengo respira por aparelhos no Campeonato Carioca (clique aqui para entender as contas de uma remota chance de classificação) e corre sério risco de precisar jogar o quadrangular do rebaixamento, em que um time cai para a Série B estadual. A iminente participação no "grupo da morte" não deixa de ser uma vergonha para a instituição, mas pelo contexto não chega a ser uma crise para um clube que prioriza e sonha com competições maiores.

Os jogadores do Flamengo se reapresentam na manhã sexta segunda-feira no Ninho do Urubu e iniciam a preparação para a estreia no Campeonato Brasileiro na quarta, às 21h30 (de Brasília), contra o São Paulo no Morumbis. E antes de voltar ao Carioca, o time rubro-negro também disputa o primeiro título da temporada na decisão da Supercopa do Brasil diante do Corinthians no domingo no Mané Garrincha.
Imagem: Thiago Ribeiro / AGIFBruno Henrique não entrou bem no Fla-Flu. (Imagem:Thiago Ribeiro / AGIF)Bruno Henrique não entrou bem no Fla-Flu. 


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