Bastidores: acusação de retaliação gera novo atrito entre Corinthians e Palmeiras

14/01/2026 17h04


Fonte Globo esportes

Imagem: Reproduçãokksksksksksksk(Imagem:Reprodução)

 O atrito entre Corinthians e Palmeiras nas categorias de base ganhou novos capítulos. Nos últimos dias, com o Timão ainda excluído do Movimento dos Clubes Formadores (MCF), o Verdão tirou três garotos do Parque São Jorge e os levou à Academia de Futebol. O que gerou críticas por parte do Alvinegro.

O Corinthians entende que está sofrendo retaliação nos bastidores por ter contratado um atleta da base alviverde em 2025 e alega ter sido sendo "roubado" pelo Palmeiras com a anuência do MCF — grupo criado por alguns dos principais clubes do futebol brasileiro para manter boa relação na base e evitar aliciamento de futuras promessas.

O Palmeiras, por sua vez, em janeiro de 2025, denunciou o Corinthians por aliciamento a este atleta citado — de 14 anos e com nome mantido em sigilo pela reportagem. O Verdão formalizou no grupo de WhatsApp do Movimento que não tinha interesse em negociá-lo, e isso pelas regras do MCF impediria qualquer outro clube integrante de assinar com o jogador.

Ele, contudo, passou a jogar pelo rival. O que caracterizou o "roubo" do atleta na visão dos envolvidos.

O Movimento dá razão ao Palmeiras na história. Procurados pelo ge, Corinthians e Palmeiras dão versões opostas sobre o andamento do caso e mantêm a disputa nos bastidores.

O coordenador da base alviverde, João Paulo Sampaio, esteve à frente das tentativas de negociação e se mostra incomodado com a postura do rival.

— Tirei três (jogadores do Corinthians), vou tirar mais. Já fui bonzinho um ano, fui roubado e fiquei esperando resolver. Sou melhor inimigo do que amigo — disse ao ge.

Entenda os bastidores do caso
Quando fez a denúncia, o Palmeiras alegou que o Timão roubou o jogador das categorias de base sem respeitar princípios éticos que regem o bom relacionamento entre os clubes e as regras do Movimento de Clubes Formadores.

O Movimento recebeu a denúncia na época, levantou os documentos e acatou o pedido do Verdão, excluindo o Corinthians do MCF. Desde então, o Timão está proibido de disputar competições não-oficiais das categorias de base, podendo entrar em campo apenas nos torneios organizados por Federação Paulista de Futebol e Confederação Brasileira de Futebol.

Além disso, outras regras pactuadas entre os clubes do MCF também deixam de se aplicar para o Corinthians: os clubes passam a poder tentar contratar atletas da base do Timão.

Na época, ainda sob a gestão do ex-presidente Augusto Melo, o clube do Parque São Jorge publicou nota afirmando ter sido surpreendido pela exclusão e dizendo que seguiu rigorosamente o código de ética do Movimento.

O que diz o MCF?
Fundado em 2012, o Movimento reúne os clubes com CCF (Certificado de Clube Formador) emitidos pela CBF. O grupo foi criado para estabelecer boas relações nas categorias de base, criar diretrizes em eventuais negociações, evitar aliciamento de jovens promessas e discutir melhorias ao futebol brasileiro.

Ainda no início do caso, o Movimento era presidido pelo dirigente Carlos Brazil. Desde esta terça-feira, Augusto Oliveira, da base do Botafogo, quem está a frente.

— O papel do Movimento é proteger e unir os clubes, garantindo a melhor formação para os jovens talentos. O Movimento sempre tem como premissa principal fomentar o diálogo, e entendemos que o melhor caminho é que Corinthians e Palmeiras cheguem a um acordo. Neste momento, em cumprimento ao regulamento da entidade, o Corinthians está penalizado, mas esperamos que cheguem logo a um entendimento para resolver a situação — afirmou o grupo em nota enviada ao ge.

O que dizem Corinthians e Palmeiras ?
Procurado pela reportagem, o clube do Parque São Jorge reconheceu que errou na condução do caso e na consequente contratação do garoto vinculado ao Palmeiras. A atual gestão, presidida por Osmar Stabile, alega ter procurado o rival e formalizado pedido de desculpas durante encontro entre as diretorias na Federação Paulista de Futebol.

O Corinthians diz que apresentou ao Alviverde mais de uma resolução do problema, propondo a devolução do atleta ou o pagamento de uma multa de até R$ 3 milhões pelo ocorrido. Na versão do Timão, o Palmeiras foi irredutível e se negou a qualquer tipo de negociação.

A versão do Palmeiras é oposta à do Corinthians. A diretoria alviverde diz que partiu dela as sugestões de uma solução diplomática, enviando mais de uma proposta.

Nos bastidores, o Palmeiras conta que um membro da nova diretoria do Corinthians chegou a pedir desculpas ao vice-presidente alviverde, Paulo Buosi, responsabilizando a gestão anterior — de Augusto Melo — por ter infringido as regras do Movimento ao roubar um atleta da base do Verdão.

Na ocasião, Buosi agradeceu o gesto do rival, mas deixou claro, desde o início, que as desculpas por si só não seriam suficientes e que o Corinthians precisaria resolver o problema de outra forma: seja negociando uma compensação ao Palmeiras ou devolvendo o atleta, de acordo com as regras do MCF.

O Palmeiras diz que apresentou três opções para o Corinthians resolver o problema, mas não aceitaram nenhuma delas.

O clube do Parque São Jorge, por sua vez, alega que João Paulo, coordenador da base do Palmeiras, tem trabalhado arduamente na articulação com outros membros do MCF para manter o Corinthians fora do grupo.

João Paulo Sampaio diz ainda que chegou a acionar a Federação Paulista para intermediar um acordo, mas não recebia retorno do clube e, na demora por respostas, retirou as propostas e deixou a decisão nas mãos do Movimento de Clubes Formadores.

Vale ressaltar que nas competições sub-17 e sub-20, o Corinthians consegue dar rodagem ao elenco. No entanto, em categorias menores, como sub-15 e sub-13, o Timão fica limitado à disputa do Campeonato Paulista e não consegue oferecer calendário atrativo aos garotos, o que impactaria na qualidade da formação.

Agora, para voltar a integrar o Movimento, a gestão do Corinthians estuda possíveis movimentos para solucionar o problema ainda neste mês.

Em contato com o ge, representantes do MCF confirmaram que, caso o Timão mande embora o atleta pivô do problema, o clube estaria apto a retornar ao grupo.

O Palmeiras entende que na realidade o Corinthians quer o perdão sem oferecer qualquer compensação ao Alviverde.



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