Mesmo com queda, Brasil é o paÃs que mais mata trans e travestis
26/01/2026 08h53Fonte Agência Brasil
Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil
Manifesto realizado na praia de Copacabana lembra as vítimas da transfobia no Brasil.
Manifesto realizado na praia de Copacabana lembra as vítimas da transfobia no Brasil.O Brasil segue em primeiro lugar no ranking de países que mais matam pessoas transexuais e travestis no mundo, com 80 assassinatos registrados em 2025. Os dados são da última edição do dossiê feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), lançado nesta segunda-feira (26).
O resultado representa queda de cerca de 34% em relação ao ano anterior, que registrou 122 crimes desse tipo, porém não tira o país do topo do ranking, posição que ocupa há quase 18 anos.
Para a presidente da Antra, Bruna Benevides, os dados são resultado de um sistema inteiro que naturaliza a opressão contra pessoas trans.
“Não são mortes isoladas, revelam uma população exposta à violência extrema desde muito cedo, atravessada por exclusão social, racismo, abandono institucional e sofrimento psicológico contínuo.”
Estatísticas de violência
Os dados para o dossiê foram coletados a partir do monitoramento diário de notícias, denúncias diretas feitas às organizações trans e registros públicos. Para Benevides, essa situação já evidencia uma violência: se a sociedade civil não fizer esse trabalho, as mortes simplesmente não existem para o Estado.
Em 2025, Ceará e Minas Gerais foram os estados com o maior número de assassinatos, sendo oito cada. Ao todo, a violência segue concentrada na Região Nordeste que registrou 38 assassinatos, seguido pelo Sudeste com 17, o Centro-Oeste com 12, o Norte com sete e o Sul com seis.
Levantamento feito pela Antra, que contabilizou o período de 2017 a 2025, mostrou o estado de São Paulo como o mais letal, registrando 155 mortes. O estudo revelou que a maioria das vítimas é de travestis e mulheres trans, predominantemente jovens, com maior incidência na faixa etária entre 18 e 35 anos, sendo pessoas negras e pardas as principais atingidas.
O dossiê aponta ainda que, por mais que os assassinatos tenham diminuído, houve aumento no número de tentativas de homicídio, o que significa que a queda de 34% em relação a 2024 não se traduz de fato em regressão da violência.
Em análise no dossiê, a Antra diz que esse cenário é explicado por um conjunto de fatores como subnotificação, descrédito nas instituições de segurança e justiça, retração da cobertura da mídia e ausência de políticas públicas específicas para o enfrentamento da transfobia - crime de preconceito, discriminação e hostilidade direcionados a pessoas transgênero.
Políticas públicas
Além do diagnóstico, o dossiê apresenta diversas recomendações dirigidas ao poder público, ao sistema de justiça, à segurança pública e às instituições de direitos humanos, buscando diálogo e propostas concretas para romper com a lógica de impunidade e escassez que marca a realidade das pessoas trans no Brasil.
Bruna Benevides, também autora do dossiê, acredita que o relatório da Antra “constrange o Estado", informa a sociedade e impede o silêncio.
“É preciso reconhecer que as políticas de proteção às mulheres precisam estar acessíveis e disponíveis para as mulheres trans por exemplo. Pensar sobre tornar acessível o que existe e implementar o que ainda não foi devidamente alcançado. Há muita produção, inclusive de dados, falta ação por parte de tomadores de decisão”, completou.
A nona edição do Dossiê: Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras será apresentada em cerimônia no auditório do Ministério dos Direitos Humanos, com entrega oficial a representantes do governo federal.
Mortes violentas
Os dados divulgados nesta segunda-feira pela Antra reforçam o cenário evidenciado no último dia 18 pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), no Observatório de Mortes Violentas de LGBT+ no Brasil, atualizado anualmente.
Os dados, que incluem além da população trans, pessoas gays, lésbicas e bissexuais, entre outras, mostram que, em 2025, foram documentadas 257 mortes violentas, 204 homicídios, 20 suicídios, 17 latrocínios (roubo seguido de morte) e 16 casos de outras causas, como atropelamentos e afogamentos.
Em relação a 2024, quando foram documentados 291 casos, houve redução de 11,7%. Mas ainda significa uma morte a cada 34 horas no Brasil.
Também de acordo com o GGB, o Brasil permaneceu no ano passado como o país com maior número de homicídios e suicídios de pessoas LGBT+ em todo o mundo, seguido pelo México, com 40, e os Estados Unidos, com 10.
Confira as últimas notícias sobre Brasil: florianonews.com/brasil
Siga @florianonews e curta o FlorianoNews












