Colegas de criança morta na enxurrada relembram tragédia

15/04/2019 08h20

Colegas de criança morta na enxurrada relembram tragédia.
Imagem: CidadeVerde.comClique para ampliarColegas de criança morta na enxurrada relembram tragédia.(Imagem:CidadeVerde.com)

Flávio Josiel, três anos de idade, tinha começado a estudar em 2019 e deu trabalho nos primeiros dias. Era uma criança que adorava se alimentar e sempre repetia as refeições na creche. Já reconhecia a primeira letra do nome e tinha dois melhores coleguinhas na sala de aula. Tudo isso ficou para trás no dia 04 de abril, quando ele morreu afogado dentro de casa durante uma enxurrada que devastou o Parque Rodoviário, em Teresina.

Na creche onde ele estudava, o Centro Municipal de Educação Infantil Nossa Senhora Maria Auxiliadora, os livros, cadernos e uma toalha ainda lembram o garoto. Contudo, uma semana após a tragédia, o que prevalecia entre as crianças era o sentimento de tristeza pela ausência do coleguinha de classe e também por tudo o que perderam.

"A tragédia foi na quinta e na segunda quando retornaram estavam ansiosos e perguntando muito, sentindo a ausência. A gente vai contando que o Josiel está com Deus, com o Papai do Céu, mas eles não entendem. Por mais que a gente diga que o Josiel está no céu, os coleguinhas de classe perguntam: mas ele vem amanhã, né? acho que vai demorar um pouco para eles chegarem ao ponto de entenderem que o Josiel não está mais conosco",
disse Socorro Melo, pedagoga da escola.

O Cidadeverde.com esteve na escola, uma semana após o rompimento da lagoa que devastou a comunidade, para acompanhar o dia a dia das crianças. Muitas tinham conseguido retornar para a escola naquele dia. Socorro conta como a tragédia abalou profundamente as crianças.

"Foi muito difícil porque a gente tinha que demonstrar força, fazer de tudo para que as crianças entendessem que a vida continua. Estamos fazendo isso através de atividades lúdicas com músicas e historinhas, mas a cabecinha deles a todo tempo volta para aquele dia. Eles contam: tia, você nem sabe, veio uma água, derrubou minha casa, tá lá uma bagunça", completa Melo.

A pedagoga também se sentiu muito abalada com a tragédia. Com experiência de mais de 30 anos na área de Educação, Socorro desabafa:

"Eu nunca tinha presenciado um momento desse. Isso doeu muito em todos os funcionários da escola. Tentando esquecer essa história triste. Vamos continuar brincando, cantando, desenhando. Esquecer, acho difícil. Acho que vai ser um trauma para essas crianças".

Cerca de 20 crianças que estudam na creche perderam tudo. O uniforme escolar para o retorno às aulas teve que ser doado. Nas salas de aula, atividades lúdicas levam alegria aos pequenos que, involuntariamente, repetem a narrativa da tragédia.

"Acho que o que mais dói neles é o fato de não estarem mais em casa. Cerca de 20 famílas de alunos que estudam aqui foram muito atingidos e estão morando em casa de parentes, morando de aluguel ou na igreja. Acreditamos, que neste momento, a escola é o melhor local para essas crianças estarem, para que não presenciem as dificuldades dos pais. Alguns, só conseguiram retornar para a escola, uma semana após a enxurrada. Até hoje estou escutando depoimento de crianças que estavam faltando com problemas de não ter onde ficar, de não ter o que vestir. Os alunos maiores, a gente conversa. Digo que temos um Deus e que a casinha deles vai se arrumar", disse Socorro Melo.

A mudança de comportamento nas crianças foi percebida pela professora auxiliar, Marta Lúcia.

"Tem criança que não falou nada, mas chorou; outros se tornaram mais agitados. Uma das meninas disse que o Flávio estava com Jesus. O melhor amigo dele, ficou sem se expressar. A mãe contou que o levou para o velório e ele disse que não queria sair de lá", disse a professora que também relata como foi o retorno às aulas.

"O que mais me dóia era saber que as crianças iam sentir falta do Flávio Josiel. Em todos os momentos eu lembro dele: quando vou pegar as toalhas, quando vejo o nome na parede, na hora de colocar o copo. Sempre quando a gente vai fazer as atividades, vem a lembrança e fico muito triste. Como sou católica, confio que Papai do Céu estava precisando dele. O sorriso dele sempre será lembrado. Foi muito comovente também o que ocorreu com as outras famílias que perderam tudo. Um dia após a tragédia, cheguei em casa 2h, tentando acalentar as famílias, mas eu mesma, chorava muito",
disse .

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Flávio Josiel, três anos de idade, tinha começado a estudar em 2019 e deu trabalho nos primeiros dias. Era uma criança que adorava se alimentar e sempre repetia as refeições na creche. Já reconhecia a primeira letra do nome e tinha dois melhores coleguinhas na sala de aula. Tudo isso ficou para trás no dia 04 de abril, quando ele morreu afogado dentro de casa durante uma enxurrada que devastou o Parque Rodoviário, em Teresina.

Na creche onde ele estudava, o Centro Municipal de Educação Infantil Nossa Senhora Maria Auxiliadora, os livros, cadernos e uma toalha ainda lembram o garoto. Contudo, uma semana após a tragédia, o que prevalecia entre as crianças era o sentimento de tristeza pela ausência do coleguinha de classe e também por tudo o que perderam.

"A tragédia foi na quinta e na segunda quando retornaram estavam ansiosos e perguntando muito, sentindo a ausência. A gente vai contando que o Josiel está com Deus, com o Papai do Céu, mas eles não entendem. Por mais que a gente diga que o Josiel está no céu, os coleguinhas de classe perguntam: mas ele vem amanhã, né? acho que vai demorar um pouco para eles chegarem ao ponto de entenderem que o Josiel não está mais conosco",
disse Socorro Melo, pedagoga da escola.

O Cidadeverde.com esteve na escola, uma semana após o rompimento da lagoa que devastou a comunidade, para acompanhar o dia a dia das crianças. Muitas tinham conseguido retornar para a escola naquele dia. Socorro conta como a tragédia abalou profundamente as crianças.

"Foi muito difícil porque a gente tinha que demonstrar força, fazer de tudo para que as crianças entendessem que a vida continua. Estamos fazendo isso através de atividades lúdicas com músicas e historinhas, mas a cabecinha deles a todo tempo volta para aquele dia. Eles contam: tia, você nem sabe, veio uma água, derrubou minha casa, tá lá uma bagunça", completa Melo.

A pedagoga também se sentiu muito abalada com a tragédia. Com experiência de mais de 30 anos na área de Educação, Socorro desabafa:

"Eu nunca tinha presenciado um momento desse. Isso doeu muito em todos os funcionários da escola. Tentando esquecer essa história triste. Vamos continuar brincando, cantando, desenhando. Esquecer, acho difícil. Acho que vai ser um trauma para essas crianças".

Cerca de 20 crianças que estudam na creche perderam tudo. O uniforme escolar para o retorno às aulas teve que ser doado. Nas salas de aula, atividades lúdicas levam alegria aos pequenos que, involuntariamente, repetem a narrativa da tragédia.

"Acho que o que mais dói neles é o fato de não estarem mais em casa. Cerca de 20 famílas de alunos que estudam aqui foram muito atingidos e estão morando em casa de parentes, morando de aluguel ou na igreja. Acreditamos, que neste momento, a escola é o melhor local para essas crianças estarem, para que não presenciem as dificuldades dos pais. Alguns, só conseguiram retornar para a escola, uma semana após a enxurrada. Até hoje estou escutando depoimento de crianças que estavam faltando com problemas de não ter onde ficar, de não ter o que vestir. Os alunos maiores, a gente conversa. Digo que temos um Deus e que a casinha deles vai se arrumar", disse Socorro Melo.

A mudança de comportamento nas crianças foi percebida pela professora auxiliar, Marta Lúcia.

"Tem criança que não falou nada, mas chorou; outros se tornaram mais agitados. Uma das meninas disse que o Flávio estava com Jesus. O melhor amigo dele, ficou sem se expressar. A mãe contou que o levou para o velório e ele disse que não queria sair de lá", disse a professora que também relata como foi o retorno às aulas.

"O que mais me dóia era saber que as crianças iam sentir falta do Flávio Josiel. Em todos os momentos eu lembro dele: quando vou pegar as toalhas, quando vejo o nome na parede, na hora de colocar o copo. Sempre quando a gente vai fazer as atividades, vem a lembrança e fico muito triste. Como sou católica, confio que Papai do Céu estava precisando dele. O sorriso dele sempre será lembrado. Foi muito comovente também o que ocorreu com as outras famílias que perderam tudo. Um dia após a tragédia, cheguei em casa 2h, tentando acalentar as famílias, mas eu mesma, chorava muito",
disse .


Fonte CidadeVerde.com

Tópicos: escola, socorro, creche